Por tamyres.matos

Rio - Tão constrangedoras e sofridas para os milhões de brasileiros que ficam sem energia elétrica num momento em que as temperaturas do verão abrasador atingem níveis recordes de alta são as tentativas vãs do governo para explicar as causas. Ou melhor, as desculpas por não saber ao certo os motivos que levaram ao blecaute, como recorrentemente acontece. Nesta terça-feira, após o apagão que deixou mais de 3 milhões de pessoas sem luz em 11 estados brasileiros, entre eles o Rio, produzindo prejuízos bilionários, na falta de temporais e raios — que são os preferidos como bode expiatório —, a bola da vez para justificar o incidente foi um curto-circuito numa torre de transmissão nos confins do Norte do país.

Mais surreal ainda foi o fato de a falta de luz na metade do país ter acontecido menos de 24 horas depois de o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, vir a público e afirmar que o risco para isso seria zero. Soou como grande piada. Melhor seria que o chefe da pasta, constrangido no dia seguinte à atrapalhada afirmação, em vez de mandar um de seus secretários à linha de fogo dar esclarecimentos, ele mesmo se dignasse em admitir o que parece óbvio à população: os apagões nos meses de verão acontecem por falta de investimentos maciços no setor. Um grave problema de infraestrutura, que se arrasta há décadas.

A crise não surgiu por acaso, nem a causa pode ser resumida a um só item. Esse processo tem como referência histórica, ao longo dos anos, a redução de injeção de recursos na transmissão, distribuição e conservação de energia e na dependência às usinas hidrelétricas, responsáveis pela produção (mais de 90%) para todo o território nacional. Um problema que só se agrava com o aumento de consumo no país, alavancado pelas vendas de eletrodomésticos, com a espetacular ascensão das classes C, D e E, e que atravanca a expansão industrial.

Portanto, já passa da hora de o governo federal, que privatizou o sistema energético na esperança de melhora, pressionar as concessionárias a investir mais e pesado. Em pleno século 21, é inaceitável que a população, que já paga por uma conta de luz cara, viva sob ameaça constante de ficar às escuras. E as indústrias, e o país, empaquem, reféns da incompetência de se produzir mais energia.

Você pode gostar