Por tamyres.matos

Rio - Muita gente está dando palpite nesse caos aéreo em que o país vive. Mas poucos conhecem a complexidade do assunto, que envolve diferentes setores da economia nacional. Não se trata apenas do alto preço das passagens domésticas nem do caos nos aeroportos e os prejuízos ao turismo. Na verdade, está tudo errado na área, que anda sem liderança e sem rumo.

As empresas sofrem, pois não andam obtendo bons resultados, apesar da boa ocupação e dos preços praticados. As duas maiores já foram buscar, inclusive, sócios lá fora. O drama reside nos altos custos, nos impostos, na irracionalidade de se permitir que cada unidade da federação tenha uma alíquota no ICMS do combustível, que é o que mais pesa no ramo.
No tempo da Varig e da Panair, seus dirigentes eram homens de influência e tinham acesso direto aos governos. E o setor era gerido pela Aeronáutica, com a competência, a probidade e o patriotismo natural em nossos militares. E o prestígio, é claro.

Abrir o mercado para empresas estrangeiras, como já foi sugerido, não resolve e só agravará o problema. Não temos pátios para aeronaves nem aeroportos em condições de suportar o aumento de pousos e decolagens. A abertura poderia até se dar, aos poucos, na América Latina, nos moldes do que ocorre na União Europeia. Mas é bom repetir: não resolve. Uma melhora nas ligações com Argentina, Uruguai e Chile, por exemplo, poderia acontecer com o aumento das cotas de direito de tráfego para as empresas de fora. No entanto, rotas como São Paulo-Buenos Aires no mercado corporativo, normalmente, pede voos de ida e volta no mesmo dia.

Precisamos é de maior presença internacional, o que fortalece a tese de que deveríamos apoiar eventual presença brasileira na TAP, onde a gestão é de quadros da antiga Varig, com reconhecido sucesso. Logo, o governo deveria unificar rapidamente o ICMS, evitando que aviões andem de tanque cheio, às vezes, sem precisar, onerando a operação e prejudicando o meio ambiente. Deveria melhorar os aeroportos centrais, como Congonhas, Santos Dumont e Pampulha. E conceder maior presença de oficiais da Aeronáutica na Anac. São observações recebidas de leitor de reconhecido saber, que nos pareceu muito razoáveis.
O teste da Copa preocupa!

Aristóteles Drummond é jornalista

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