Por tamyres.matos

Rio - Analisando dados da Organização Mundial de Turismo, pode-se observar que o Brasil apresenta significativa fragilidade quanto à atração de visitantes de fora. Recebemos pouco mais de 6 milhões de turistas em 2013, ficando bem abaixo de outros países em desenvolvimento, como o México (23,4 milhões). Somos o último colocado entre os Brics (China, Rússia, África do Sul e Índia). Em geral, turistas visitam países próximos a suas fronteiras, e por isso o México acolhe muitos americanos, assim como os europeus, que habitam pequenos territórios.

Porém, a proximidade não é o único fator que os atrai. Os investimentos também são determinantes, e o Brasil faz pouco nesta área. Neste ano o governo pretende gastar apenas R$ 140 milhões para divulgar o país, o mesmo que em 2013.

Além disso, o turista reclama muito dos altos preços praticados por aqui. Hotéis cariocas frequentam as listas dos mais caros do mundo! Preços abusivos também são praticados pelas empresas de aviação. Os empresários do setor, por sua vez, alegam que os impostos encarecem os serviços, ainda que o governo já tenha diminuído, timidamente, a carga tributária. Esta cultura do preço alto não vai mudar tão cedo e, enquanto isso, o Brasil estará longe de ser competitivo em relação a outros destinos. Quando o turista faz as contas, acaba decidindo pelo Caribe ou os Estados Unidos.

A proximidade dos grandes eventos esportivos levou o governo a investir em aeroportos, mas a malha aérea brasileira ainda é insuficiente. Por outro lado, praticamente não existem ligações ferroviárias ou rodoviárias decentes entre o Brasil e seus vizinhos. Daí a dependência do caro e insuficiente transporte aéreo.

O turismo brasileiro precisa de mais profissionalismo e melhor planejamento para acompanhar as tendências, bem como enfrentar a concorrência. Nossas belezas naturais e bens culturais tornam o Brasil um excelente produto turístico. Possuímos o maior número de espécies da fauna e flora do planeta, nas maiores áreas contínuas de florestas intocadas, um alicerce para o equilíbrio ecológico e climático.

Para ser comprado, este produto precisa ser conhecido, e investimentos em uma política de comunicação preenchem essa função, desde que situado dentro de um amplo programa de marketing. Nossa política para esta área precisa estar ligada à ampla visão de desenvolvimento sustentado; afinal, o meio ambiente é a matéria-prima do turismo. É um grande desafio para nossos governantes e empresas, que precisam somar forças a fim de que milhares de outros cidadãos possam desfrutar os resultados sociais e econômicos do turismo.

Carlos Alberto Cacau de Brito é advogado e presidente do Movimento O Rio Pede Paz

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