Marcos Espínola: Manifestante ou criminoso?

Quando deparamos com a volta do povo às ruas, todos nós, brasileiros, de alguma forma nos enchemos de esperança

Por O Dia

Rio - Quando deparamos com a volta do povo às ruas, todos nós, brasileiros, de alguma forma nos enchemos de esperança, remetendo nossa mente a uma época na qual a mobilização popular foi determinante para mudanças significativas do país, como as Diretas e o impeachment do presidente Collor, com forte mobilização dos caras-pintadas. No entanto, com exceção das primeiras manifestações nas grandes capitais, quando notoriamente se viu um povo indignado, todo o resto se descambou para a violência sem propósito e o crime puro e simples, com saques, furtos, agressões contra a polícia e a imprensa. Atitudes que nada têm a ver com manifesto.

Nesta semana, mais uma vez, o limite foi extrapolado. O que seria uma manifestação pacífica novamente se transformou em confronto, mas com um agravante: além das novas depredações e ataques à Polícia Militar, um jornalista foi covardemente atingido por uma bomba caseira. Um absurdo, já que o cinegrafista Santiago Andrade, no exercício de sua profissão, representa um canal legítimo para visibilidade ao manifesto, ou seja, o criminoso que o atingiu nada quer dizer, nada quer reivindicar. Não se trata de um cidadão exercitando sua cidadania, mas um criminoso que não respeita a vida e merece ser punido com todos os rigores da lei.

Certamente a impunidade é ainda determinante para o aumento desses episódios e também de atentados contra jornalistas. No Brasil, em 2012, estudo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) já apontava que o Brasil ocupava o terceiro lugar nas Américas e o 11º no mundo no ranking de impunidade de crimes praticados contras os profissionais de imprensa.

No caso do cinegrafista, há ainda especulações de que a bomba que o atingiu tenha sido arremessada pela polícia, o que as imagens comprovam o contrário. Nessa medida de força entre manifestantes, ou melhor, de vândalos travestidos de cidadãos, o alvo é sempre desestabilizar a polícia. A tentativa constante é de desmoralizar a figura da lei para justificar procedimentos criminosos. Falam de falta de treinamentos adequados, despreparo, mas a verdade é que para lidar com mobilizações populares o procedimento da PM é o mesmo de toda polícia internacional.

Em qualquer lugar do mundo, a polícia, na defesa da cidadania e na busca da manutenção da ordem pública, trata cidadão como cidadão, mas bandidos, arruaceiros e criminosos, com o rigor e a virilidade que merecem, deixando claro que manifestação é uma coisa, e atos criminosos que atentam à democracia e à paz social, outra.

Advogado criminalista

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