Editorial: O papel da imprensa no equilíbrio do país

Há muito a esclarecer na tragédia da morte do cinegrafista Santiago Andrade

Por O Dia

Rio - Há muito a esclarecer na tragédia da morte do cinegrafista Santiago Andrade. A prisão dos jovens acusados de manipular o rojão assassino em absoluto encerra a investigação, que agora precisa direcionar os holofotes para a denúncia de ‘patrocínio’ da violência. Naturalmente, o assunto suscita amplo e inflamado debate, que transcende a ocorrência criminal, provoca atrito entre ideologias e orientações partidárias e galga patamares que beiram a teoria da conspiração, com teses inspiradas como as que inundam as redes sociais. Toda essa discussão, por mais excessos que contenha, é absolutamente natural em um Estado Democrático de Direito.

Surgem críticos atrozes das comissões de Direitos Humanos; sugere-se que nenhum black bloc mereça defesa no julgamento; questiona-se se o jovem preso na Bahia é de fato o que disparou o rojão, mesmo tendo confessado, e não falte quem enxergue em tudo gigantesca operação para revolucionar o país.

O Brasil, como República madura, jamais pode entrar no jogo de arruaceiros ou de seus patrocinadores, o que o faria retroceder a tempos sombrios. Precisa-se, sim, de defensores. Não se pode desqualificar um advogado com base na índole de seus clientes. A todos é garantido o direito de defesa. E os parlamentares podem e devem se dedicar às suas causas, desde que não corrompam a Lei ou omitam a verdade.

É a verdade que, em meio a tantas versões, teses e até devaneios, precisa sempre triunfar. Às vezes é preciso trabalho árduo para chegar até ela. Neste ponto, a imprensa é fundamental. Mas não o comodismo de cuspir achismos ou omitir informações: é colher provas, questionar fatos, ouvir os dois lados, encontrar discrepâncias e esclarecer dúvidas, como O DIA tem feito. É por isso que nenhuma democracia pode prescindir da imprensa e de jornalistas. São a garantia do livre-arbítrio de pensar, refletir e construir uma nação equilibrada.

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