Por bferreira
Publicado 14/02/2014 00:39

Rio - A Câmara dos Deputados cassou, na noite de quarta-feira, o mandato de Natan Donadon, o deputado por Rondônia acusado por desvio de dinheiro público e que cumpre pena em penitenciária de Brasília. É mais uma página virada na luta do país contra a corrupção, e a democracia agradece. Foi a primeira sessão desde que se instituiu o voto aberto, e chamou a atenção o placar acachapante, de 467 votos favoráveis contra apenas um parlamentar que se absteve. Quadro bem diferente da vexaminosa plenária de agosto que lhe poupou o mandato e que merece reflexão.

A votação maciça pela perda de mandato do deputado-presidiário sugere vitória dos gritos de indignação das ruas, sim. Afinal, foi após pressão das manifestações que exigiram também o fim do voto secreto é que os nobres parlamentares se apressararm em acabar com essa excrescência na Casa.

Mas o expressivo placar também não deixa de endossar o compadrio e os interesses de políticos que, sob o escudo do voto secreto, pariram o escore favorável de agosto — na época, 131 camaradas acharam por bem não magoar o agora ex-deputado. Cabe frisar que, na primeira votação, ele já estava preso havia dois meses, condenado pelo STF a 13 anos e quatro meses em regime fechado.

Tal como ativistas que cometem crimes com panos no rosto, os deputados se sentiam protegidos com o anonimato. Seis meses depois, com o voto escancarado no placar e com mensaleiros na cadeia, o comportamento foi outro.

Agora só resta saber se de fato caíram todas as máscaras no Parlamento ou se suas excelências ainda têm o que esconder. Seja como for, há algo novo no ar e não deixa de ser um avanço.

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