Por thiago.antunes
Publicado 15/02/2014 22:00

Rio - Somente pessoas pobres de espírito ainda recorrem a diferenças de gênero, etnia ou credo — para ficar nos exemplos mais comuns no dia a dia — na hora de humilhar alguém ou manifestar descontentamento ou repúdio. Esta semana, pela Taça Libertadores da América, Tinga, do Cruzeiro, foi sistematicamente agredido pelos torcedores do Real Garcilaso, do Peru. Apupos e xingamentos de “macaco” foram atirados toda vez que tocasse na bola. A cena, lamentável, ofuscou o jogo, mas desencadeou bonita reação de solidariedade dos clubes brasileiros.

Racismo no futebol não é demérito exclusivo de peruanos. Na Europa, casos semelhantes se contam às centenas todos os anos, e a Fifa volta e meia utiliza um bom tempo antes de partidas importantes — algumas até em fases decisivas de Copa do Mundo — para passar mensagens contra o ódio e a intolerância. No Brasil também houve agressões do gênero.

A indignação é importante mas muitas vezes inócua. Como é praticamente impossível identificar, no meio da turba, os autores dos xingamentos para ação criminal individual, faz-se necessário uniformizar sanções rígidas no mundo todo para extirpar essa abominação. Já existem medidas como tirar o mando de campo do time cuja assistência mostrou-se hostil, obrigá-lo a jogar com portões fechados ou mesmo excluí-lo da competição. Celeridade no processo é outro passo fundamental para que acabe o preconceito no futebol.

Não se pode cometer o erro de achar que xingar um jogador de macaco é crime a relevar. É tão grave quanto soltar um rojão num estádio — como o sinalizador que corintianos dispararam na Bolívia ano passado. Ficaram meses presos, e o episódio levantou necessário debate sobre segurança em arenas.

O que é triste no episódio de Tinga é ver peruanos, povo tão oprimido na história quanto africanos, repetirem o comportamento tirânico que colonizadores impuseram quando chegaram à América, com horror e escravidão.

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