Aristóteles Drummond: Realidade econômica

O mundo globalizado não é uma opção política, mas uma realidade com a qual temos de conviver daqui para frente, assim como com as mudanças climáticas

Por O Dia

Rio - O mundo globalizado não é uma opção política, mas uma realidade com a qual temos de conviver daqui para frente, assim como com as mudanças climáticas. Os efeitos da crise são inevitáveis, e a conta será maior para os que ignoraram a prudência e as leis dos mercados, como parece ser o nosso caso.

O Brasil abusou de ser o ‘patinho feio’ dos chamados países emergentes. Chegamos a considerar a crise que surgia globalmente como “uma marolinha”. A dívida e o gasto público não pararam de crescer, o investidor que poderia compensar a temeridade dos governantes passou a ser hostilizado, as empresas e os negócios perdendo rentabilidade e, assim sendo, atratividade. Vivemos as bolhas do consumo, das isenções fiscais e de um endividamento geral assustador. Só a Vale e a Petrobras devem mais do que o governo português, lutando para sair da crise gerada nos anos de governos socialistas.

A postura tolerante com os radicalismos ambientais vem provocando reservatórios para geração de energia pura, limpa e economicamente viável cada vez menores. E as obras estão sob constante pressão ambiental, fundiária e sindical. Depois, reclamam dos altos custos. E tolerância com a sabotagem a projetos de portos, aeroportos e estradas prejudica obras do próprio governo federal. Estamos aí, neste estrangulamento que anula qualquer ganho de produtividade no agronegócio, que ainda convive com a violência e as ameaças do protegido MST.

A ordem e a segurança sumiram dos centros urbanos, e muitos ainda acham que se pode ocupar a via pública mascarados e armados. As manifestações programadas para os eventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas podem acabar com o que resta da imagem brasileira no exterior. Será tema da mídia mundial. E as providências encaminhadas são mais para a proteção dos manifestantes do que de respeito aos agentes da ordem pública, cada vez mais acuados e limitados para o cumprimento de seus deveres constitucionais.

Não podemos tapar o sol com a peneira. Estamos no limiar de uma crise energética, econômica, política e social.

Jornalista

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