Felipe Borba: Tempo de TV e voto no Rio

As últimas pesquisas sobre intenção de voto no Rio apontam para cenário de indefinição

Por O Dia

Rio - As últimas pesquisas sobre intenção de voto no Rio apontam para cenário de indefinição. A julgar pelos números recentes, existem três candidatos com chances reais de alcançar o segundo turno: Anthony Garotinho (PR), Lindbergh Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB).

Garotinho repousa na posição mais confortável, ao liderar todos os cenários eleitorais. O seu favoritismo é devido ao corte de classe que distingue sua candidatura. O ex-governador pode ser considerado o ‘candidato dos pobres’ ao destacar-se entre os menos escolarizados e com menor poder aquisitivo. Ninguém possui base social tão definida.

O mistério que ronda a eleição é a viabilidade do vice-governador Luiz Fernando Pezão. Até o momento, o seu desempenho pode ser classificado como sofrível. Seus percentuais de voto oscilam entre 5% e 7% a depender do cenário e parecem refletir, além do baixo conhecimento de seu nome, a má avaliação do governo Cabral.

A tentativa de inverter a curva desfavorável vem envolvendo duas linhas de ação. A primeira é dar visibilidade ao vice-governador. Sérgio Cabral confirmou recentemente que renunciará em março para deixar o governo nas mãos de Pezão. A segunda é sufocar os adversários, isolando principalmente Lindbergh e o PT. Recentemente, o PMDB conseguiu o apoio formal do PDT, PSD e Solidariedade, ampliando para 14 os partidos em sua coligação eleitoral.

A construção de alianças é importante pelo tempo de propaganda no rádio e na televisão. Estimativas iniciais dão conta de que a coligação liderada por Pezão terá ao menos oito minutos no horário eleitoral. Esse tempo é o dobro do que Lindbergh projeta ter e quase três vezes o de Garotinho.

Por que o tempo de propaganda é fundamental nas campanhas? Estudo que conduzi sobre a importância do horário político revela realidade social interessantíssima. Os candidatos que buscam a reeleição (seja para presidente, governador ou prefeito) e alinham à sua candidatura o maior tempo de TV são praticamente imbatíveis. Os números mostram que 95% conseguem chegar pelo menos ao segundo turno. Nas três últimas eleições para governador, disputadas em 2002, 2006 e 2010, apenas dois candidatos fracassaram em situações do tipo.

A comunicação parece ser a chave para o crescimento de Pezão. Comunicar-se, entretanto, implica duas dimensões cruciais: o tempo e o conteúdo. A ausência de uma delas destrói o objetivo maior — comunicar-se com o distinto público. Tempo, Pezão terá. Resta saber se o conteúdo será capaz de alterar a percepção de um governo que ostenta a quarta pior avaliação no país.

Cientista político, professor da Unirio e pesquisador no Iesp/Uerj

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