Filipe Pereira: Prevenir, remediar e curar

Dependente químico não é um sentenciado ao corredor da morte

Por O Dia

Rio - No campo da dependência química, a única cura real e definitiva é a prevenção. A abordagem preventiva começa no âmbito familiar. Para as famílias que ocupam a chamada base da pirâmide social, a prevenção precisa estar associada a medidas ligadas a condições básicas de vida, como Educação, Saúde, moradia e emprego, o que, como é natural, dificulta em muito a possibilidade de resultados positivos, não os inviabilizando, porém.

Como se sabe, famílias socialmente mais bem estruturadas não estão isentas de contar com dependentes químicos entre seus membros, mas as opções de uma reinserção estável, permanente e produtiva daqueles que querem vencer a dependência são naturalmente mais numerosas e mais viáveis entre elas. O trabalho de prevenção em âmbito governamental visa a fazer com que todos os que recorrem a ele tenham iguais oportunidades de recuperação.

Prevenir, no caso, como responsabilidade de pais, responsáveis e autoridades em geral é sinônimo de dar o exemplo, na família e na sociedade, de uma vida pessoal sóbria e equilibrada, orientar quanto aos riscos do vício e viabilizar hábitos individuais e coletivos de vida que valorizem o cuidado com a saúde, a alimentação correta, a prática de atividades físicas regulares e socialização adequada.

O dependente químico não é um sentenciado ao corredor da morte. Há o que pode ser feito – e nisso instâncias de governo, como a Secretaria Estadual de Prevenção à Dependência Química e setores específicos nas áreas de segurança pública, ação social, saúde e trabalho, bem como a sociedade civil, através de entidades não governamentais, partidos políticos, igrejas, escolas, clubes e famílias precisam se unir ainda mais num programa de reversão da escalada do consumo.

Tratar a dependência química como uma doença incurável, ou, no mínimo, incontrolável, e o dependente como vítima irreversível, é um erro estratégico provado por muitos casos de abandono permanente do vício. Se a prevenção é a cura real, o controle é a cura possível para quem esteve no inferno do vício e não quer retornar a ele.

O aspecto ligado à disposição do próprio dependente em triunfar nessa dura batalha é essencial. Se ele não tiver a compreensão do abismo para onde caminha e não demonstrar um mínimo de interesse em dar meia volta enquanto há tempo, não serão familiares, amigos, autoridades e pessoas em geral que o poderão livrar da derrota anunciada.

Filipe Pereira secretário estadual de Prevenção à Dependência Química

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