Por bferreira

Rio - Acompanhar fatos e comportamentos é um dever de ofício de todo jornalista. Para alguns, como eu, é um prazer. Mas tenho ficado cada vez mais surpreso com a forma como temos, todos nós, povo, nos comportado nos últimos meses.

Estamos perdendo por completo a capacidade de reconhecer os erros, de fazer qualquer tipo de autoanálise, e optamos pela comodidade quase que covarde de colocar a culpa de absolutamente tudo em outras pessoas. Seja lá qual for o tema.

Prefeitos e governadores — além da presidenta Dilma, é claro — são sempre culpados por tudo. É conveniente esquecermos que fomos nós que os colocamos lá. No Rio de Janeiro, por exemplo, tudo é culpa da diabólica dupla Paes & Cabral.

Não que eles não tenham culpa de nada. Têm até bastante. Mas bota culpa nisso! Paes reconhece algumas, nas vezes que nos esbarramos por aí. O Cabral, não sei, porque não tenho ido a Mangaratiba e Paris. E nas últimas vezes que fui ao Palácio Guanabara ele se recusou a responder perguntas. Mas imagino que ele saiba que está errando. A voz das ruas é alta à beça. Ele ouviu. Ah, ouviu. Surdo, ele não é.

Mas vejo muita gente reclamando, por exemplo, dos blocos temáticos, mas se 500 mil pessoas assistem a Preta Gil, a culpa não é do Eduardo Paes, nem a cantora tem ligação com o Marcelo Freixo. Também não foi a polícia que agiu com violência e mandou geral para lá. Não desta vez. Felizmente. Nós fomos para lá.

Se as novelas e o Big Brother são programas desprezíveis, basta não assistirmos. Mas parece que foram criados pelo Paes. Ou que têm ligação com o Freixo. Incrível como policiais são sempre a personificação do mal. E que jornalistas são golpistas, levianos e mal-intencionados. Desde que, claro, você discorde dele. Se concordar, você até compartilha no Facebook. Mesmo se você for um black bloc e o jornalista escreva para a Revista Veja.

Aliás, por falar nessa turma, eles negam o uso da violência. Noutros países, grupos extremistas de esquerda ou direita, revolucionários ou golpistas, sempre assumiram orgulhosamente a violência, concordemos com eles ou não. Mas aqui, não. Pedras, morteiros e coquetéis molotov são disparados por infiltrados. Até surgir um Santiago.

Vivemos num país corrupto onde, por obra divina, não há corruptores. Caso único no mundo. O problema é que desta forma não há progresso possível. Vamos repensar este comportamento? Teremos eleições em outubro e não vai dar para transferir responsabilidade de novo. Vai ficar feio para a gente. Aliás, já está feio. Bora fazer diferente.

Jornalista

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