Por bferreira

Rio - A médica Carolyn Ee, pesquisadora da Universidade de Melbourne (Austrália), tornou-se o fenômeno do mês nas redes sociais ao escrever em seu blog, ‘The Healthy Doctor’, cartas dedicadas aos dois tipos de mães que somos e/ou seremos: a que trabalha fora e a que fica em casa. E quem não for mãe será eternamente filho de uma, podendo reconhecer bem pertinho de quem estamos falando.

Com admiração mútua entre os estilos, Carolyn conseguiu, nos textos publicados em 8 de fevereiro, milhares de acessos e quase 683 mil curtidas no Facebook. Esse sucesso foi causado pelos comoventes relatos, escritos nos dois papéis — ela mesma uma mãe que se viu seguindo o caminho de voltar ao trabalho após a licença-maternidade.

A identificação das mulheres provocou a comoção. A mãe que abriu mão da independência financeira e permanece em casa sem recompensa, fama ou sucesso, escreve para a que trabalha fora, consolando-a: “Eu a vejo em todos os lugares. Você é a médica que recebe meus filhos quando estão doentes. A alergista que identificou a alergia do meu bebê. A fisioterapeuta que cuida das costas do meu marido. A professora do meu primeiro filho. A diretora da creche. A professora de ginástica. A corretora de imóveis que vendeu nossa casa. Que tipo de mundo seria, se você não estivesse lá para nós?”

Dividir-se em dois em qualquer coisa traz sofrimento. Não se pode segurar duas situações sem abrir mão de uma. Como se diz no jornalismo, editar é escolher. E assim é na vida. Para uma rotina mais azeitada, é preciso fazer escolhas: de quando você está com o coração calmo, mas se apaixona por outra pessoa à primeira vista; entre agir certo e errado; atravessar ou não com o sinal de pedestres fechado. Ter um pássaro na mão e não dois voando pode ser mais sufocante que apenas imaginar como seriam as situações “se”…

No caso da mãe que trabalha: seis meses com um bebê é o maior aprendizado vivenciado. Parar e simplesmente estar atento, paciente, folha em branco diante de folha em branco. Coração puro, livre e observador das necessidades do outro. Equilibrar-se para poder equilibrar. Conseguir extrair o peso da pressão do trabalho incessante em casa para dar leveza a quem dorme como anjo em seus braços. Ter forças, vindas da natureza animal, de retomar a vida como ela era para que seu filho se orgulhe. A mulher que entrou com força no mercado de trabalho lá pelos anos 70 já virou super-heroína há tempos. O plano é vestir a capa. Sem abrir mão do amor.

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