Por bferreira

Rio - Na última década, parte da população brasileira experimentou forte mudança social. Mais de 30 milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza, com aumento de renda e acesso a crédito e a bens de consumo. Esse grupo, que está sendo chamado de nova classe média, é um dos principais alvos das políticas sociais do governo federal. Mas, por ser grande e heterogêneo, sabe-se pouco sobre o que pensa sobre isso e outros temas, como a questão ambiental. A ideia é entender como esse segmento, que vive à festejada conquista de poder consumir mais, encara o discurso de sustentabilidade e das questões sociais que colocam consumo como coisa controlada. O objetivo é conhecer as práticas reais e entender como o grupo as vivencia.

Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o Bolsa Família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar, além de ser um demérito, desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. Ela não é necessariamente contra os políticos, pois acredita que, em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base das decisões: então, deveríamos ter bons gestores.

O consumo sustentável ainda não é prioridade para essas famílias. As questões ambientais são percebidas como distantes da realidade, mais associadas à ideia de proteção de florestas e rios, e não com o dia a dia das cidades. Isso não quer dizer que o assunto seja ignorado. As pessoas enfatizam os problemas da comunidade, especialmente o lixo. Além disso, a nova classe média mostra comportamentos considerados sustentáveis, como economizar água e apagar as luzes ao sair dos quartos. Mas a motivação não é ambiental, é econômica. Apagar a luz ou evitar o desperdício de água significa dinheiro no fim do mês. Pode significar sair uma vez a mais para jantar no mês.

O Estado Democrático de Direito ainda é uma esperança. Desde que findou a ditadura militar e surgiu a Constituição de 1988, todos esperam as garantias dos cidadãos deslancharem. Até agora o extenso texto fica lindo no papel, enquanto tentamos vender uma imagem distorcida da realidade lá fora e sofremos calados aqui dentro. Lutar, sim... com fé em Deus, por um país mais justo, sem baderna e sem violência!

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