Por bferreira

Rio - Hoje à noite a passarela da Sapucaí recebe oficialmente as primeiras escolas de samba da Série A para o Carnaval de fogo que se apresenta. A Renascer de Jacarepaguá, quarta escola a desfilar, presta homenagem ao cartunista Lan e, orgulhoso, compus em parceria com Claudio Russo o samba­enredo da agremiação. Confesso: meu coração verde e rosa esta pulsando vermelho e branco, as pernas tremem na evolução do Mestre Dinho, elegante na condução da bateria.

Lan é italiano por descuido da geografia. Zanzou pelo Uruguai, bateu ponto em Buenos Aires, enfim, rodou o mundo com a sua arte até subir o morro do Salgueiro, em 1953, e notar, ofegante, a mulata descendo as escadarias da favela. Ali mesmo, decidiu: “Daqui, não saio. Daqui, ninguém me tira!”

Acabou portelense, mas é bem recebido por todas as bandeiras do samba. Memória privilegiada aos quase 90 anos, foi íntimo de Cartola, Nelson Cavaquinho, convive feito vizinho de porta com Monarco e Paulinho da Viola. Tem suas prioridades, mulher e Flamengo.

Outro dia, fofocas cariocas, o homem liga pro celular de uma amiga. Ela justifica a pressa na conversa: Lan, tô na praia! Não acredito que estou falando contigo e você de biquíni!
Pertencer à Série A, antigo Grupo de Acesso, exige de todos a verdadeira criatividade brasileira.

Do barracão da escola, perdido nas entranhas empoeiradas das obras da Zona Portuária, o isopor lixado faz um beija­flor dos pés do tigre de bengala. Carcaças carregando o altar de fibra de vidro que protege o destaque em paetês à altura da nossa emoção.

Nas grandes escolas, todas motorizadas. Por aqui, Renascer, Império Serrano e Viradouro seguem o trajeto na disposição do “apoio” sofredor. Materiais inflamáveis, nada comparado à cólera do Carnaval.

Os fogos anunciam a entrada da comissão de frente. Falta ar no peito grisalho. O Setor 1 levanta com os primeiros versos, ventarolas erguidas na explosão do momento. O júri rabisca na planilha as notas feito tatuagem: É pra sempre.

Se eu chegar vivo na dispersão, emendo com o Bola Preta, pra depois só acordar na apuração entubado em cabernets e outros permitidos.

Samba­enredo só ganha um, canta o meu parceiro Wanderley Monteiro. Sendo assim, vamos sambar!

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