Por bferreira

Rio - A prisão injusta do ator negro e psicólogo Vinicius Romão, de 26 anos, é mais um caso que deixou-nos perplexos. Se fosse branco, teria sofrido tantas humilhações? Há novas formas de racismo na sociedade? Esta é a sensação que a sociedade está tendo e passando adiante.

O racismo se recicla em função do recuo ou avanço do negro, com referência às conquistas de seus direitos. Cotas e outras conquistas estão fazendo o negro ter mais coragem de reagir ao racismo. Em parte, por mais absurdo que pareça, a explicitação desse atual racismo é o termômetro que confirma que o negro está avançando. Sua ascensão incomoda! Avançando em todos os setores, inclusive na coragem de denunciar o racismo, o negro passa a se empoderar!

Quem ainda está preso ao colonialismo não aceita o avanço do negro. Não admite que ele tenha direitos iguais. Há o racismo pessoal e o institucional. A ‘instituição polícia’ tem alguns policiais bem formados. Outros, mesmo bem formados, são vítimas do preconceito contra o negro, alojado inconscientemente em suas mentes. Quanto se junta o racismo institucional com o pessoal, cria-se a ‘cegueira da razão’. É sempre desastroso quando um profissional age na ‘cegueira da razão’, seja de qual área for.

A polícia, o Ministério Público e o Judiciário não podem dispensar o reconhecimento técnico de um crime. Esse erro técnico gera graves prejuízos sociais à nossa coletividade. Quando um policial é acusado de um crime, colocam-no em um grupo de 10 policiais, com igual estatura, idade, roupas e cabelo para que a vítima tenha a oportunidade de reconhecer, com mais precisão, quem foi o policial criminoso. Por que não colocaram em prática este método com o ator e com o Delmar, estudante de Arquitetura da UFRJ? O caso do africano é emblemático. Ficou injustamente preso.

O processo continuou, e os erros de apuração continuam até hoje. Policiais, delegados e juízes continuam errando! O caso Delmar não está recebendo o mesmo apoio da imprensa nem a mesma qualidade técnica de apuração. É porque ele não é um ator que já fez papel na Globo?

O povo brasileiro não quer ser racista. A sociedade está assustada. Começa a se dar conta de que boa parte dos policiais, delegados e juízes sofre desta doença. Só eles? Não! Todos somos vítimas de um olhar ideológico discriminatório. No inconsciente coletivo, ainda não admitimos que o negro possa ter outro lugar a não ser o reservado pelo racismo institucional que tanto estrago gera no tecido social brasileiro.

Especialista em Ações Afirmativas

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