Editorial: Greve de garis arranha imagem da cidade

Saem os blocos e escolas de samba, entram em cena os garis que cruzam os braços e deixam acumular-se montanhas de lixo pelas ruas do Rio

Por O Dia

Rio - Saem os blocos e escolas de samba, entram em cena os garis que cruzam os braços e deixam acumular-se montanhas de lixo pelas ruas do Rio. Esta foi a sina a ser enfrentada pelo carioca e por quem escolheu o Rio para brincar na festa mais popular do país. O ato, considerado ilegal pela Justiça, deixa chamuscada a imagem do Carnaval do Rio, cuja organização deveria servir como cartão de visitas, às vésperas de a cidade sediar os jogos da Copa do Mundo e receber milhares de turistas.

Pior ainda, poderia provocar mais transtornos e até mortes se chovesse durante os dias de folia — como a meteorologia chegou a prever —, com entupimento de galerias pelos dejetos e o consequente transbordamento em logradouros repletos de foliões.

À autoridade pública, faltou esgotar todos os diálogos com a categoria para que a situação não chegasse ao ponto que chegou, mesmo após suposto acordo com representantes da classe. Aos trabalhadores, a sensibilidade para dimensionar os estragos que o ato poderia causar à cidade e aos cidadãos que, afinal, pagam seus impostos e nada têm a ver com o imbróglio.

O episódio da paralisação dos garis em pleno Carnaval carioca, como de outros movimentos paredistas, remete a sociedade à reflexão sobre as greves e as consequências que podem trazer, quando a negociação dá lugar ao radicalismo.

É lícito e democrático que os trabalhadores lutem por melhores condições e de remunerações mais condizentes. Mas não é justo prejudicar outras centenas de milhares de também trabalhadores que têm o seu direito ferido na falta total de serviço essencial, justamente num momento em que mais precisam. Mais sério ainda quando a ausência desses serviços pode pôr em risco vidas humanas.

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