Por bferreira

Rio - Passado o Carnaval, o ano político e econômico começa de fato. E complicado com as disputas políticas, as dificuldades nas alianças partidárias e na evidente falta de coerência em muitos estados. É claro que a eleição presidencial, de governadores, do Congresso e assembleias estaduais terá reflexos na economia em geral, em possíveis atritos entre poderes. Nada conspira para um clima cordial e de uma democracia madura. Vamos ter o jogo do poder, tanto o político como o econômico; a guerra das acusações; a tentativa de se deturpar a verdade. E muita exploração.

Mas é preciso que se atente para o momento econômico, que é delicado. O radicalismo e a perturbação da ordem nas ruas afetam o investimento privado, o turismo, o emprego, as contas públicas. Ainda corremos riscos de desconfianças maiores entre os avaliadores de risco, com a possibilidade de termos dificuldades no rolar a dívida pública e a privada, especialmente aquela contraída nos mercados internacionais. Sabemos que estados e municípios já encontram dificuldades de caixa, as vendas do comércio estavam suportadas pelo verão e pelo Carnaval, e a energia está cara. Tudo isso prejudica o povo, os mais humildes.

Um clima de violência, desabastecimento e desemprego como o vivido pela Venezuela já não atinge as camadas mais altas do país vizinho. Famílias com um mínimo de condições, em sua maioria, estão em Miami. Sofrem os que não têm recursos financeiros ou intelectuais para sair em busca de paz e trabalho. A Argentina também derrete sua economia e sua democracia, com visíveis sofrimentos da população.

O mundo convive com essas dificuldades. Devemos procurar seguir as democracias que têm agido com bom senso e melhores resultados. E, sobretudo, pela busca da união e conciliação nacional, uma vez que tudo fica pior com um ambiente em que prosperam os sentimentos menores do ressentimento, do revanchismo, do ódio e da intolerância. Será melhor para todos.
A pauta não deve ser Copa do Mundo nem eleições. O ideal é união e trabalho, agenda pragmática em favor de projetos na infraestrutura e na austeridade fiscal.

Jornalista

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