Por bferreira

Rio - O sucesso em uma eleição presidencial depende em grande medida das alianças entre os partidos e dos palanques que são costurados nos estados. O brasileiro não pensa nas legendas no momento do voto, mas uma candidatura, para ser bem-sucedida, deve contar com o apoio de partidos estruturados nos municípios e contar com o apoio de cabos eleitorais engajados e comprometidos com a eleição do candidato.

Dessa forma, as eleições de 2010 levaram à vitória de Dilma e Cabral, especialmente por conta da bem-sucedida aliança entre o PMDB e PT. Esses são os dois partidos mais bem estruturados no Brasil. Em 2011, eles eram os únicos que contavam com diretórios em mais de 94% dos municípios brasileiros. Essas grandes máquinas partidárias são fundamentais para alavancar qualquer candidatura.

Os nomes para 2014 ainda não estão oficialmente lançados, o que se especula são as candidaturas presidenciais de Dilma Rousseff, pelo PT, Aécio Neves, pelo PSDB, e Eduardo Campos, pelo PSB. No Rio, temos como pré-candidatos o vice-governador Luiz Fernando Pezão, pelo PMDB, o senador Lindbergh Farias, pelo PT, e o deputado federal Anthony Garotinho, pelo PR. Isso significa que devemos ter no Rio três candidaturas fortes sustentadas por partidos que fazem parte da base de aliada da presidenta.

Tal situação trará duas consequências. A primeira é o racha da parceria entre o PMDB e o PT. As implicações desse rompimento são difíceis de estimar agora, mas não tenho dúvidas de que fragilizará a candidata à reeleição. A situação da presidenta poderá ficar ainda pior se os outros candidatos presidenciais conseguirem armar bons palanques no Rio. O PSDB, que já elegeu o governador em 1994 e desde então só perdeu força no estado, está tentando seduzir, sem sucesso, o treinador de vôlei Bernardinho, enquanto o PSB está apostando todas as fichas em conquistar o valorizado ‘passe’ do presidente do STF, Joaquim Barbosa.

A segunda consequência dessa briga chama-se Anthony Garotinho. Enquanto PT e PMDB trocam acusações e abrem feridas difíceis de cicatrizar, o ex-governador vai navegando em águas tranquilas. É bem possível que, nas próximas semanas, seu favoritismo nas pesquisas de intenções de voto se consolide ainda mais.

Por enquanto tudo não passa de especulação, as candidaturas serão definidas no período das convenções, entre os dias 10 e 30 de junho. Até lá, muita coisa ainda pode acontecer, mas acredito que o racha da aliança PMDB-PT trará dificuldades para os partidos nos níveis nacional e estadual.

Cientista político e professor da Unirio

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