Por bferreira

Rio - O Rio de Janeiro vive momento delicado para a mobilidade urbana, como tantas vezes este espaço discutiu. Somadas às históricas deficiências no transporte de massa, as obras do Centro e da Zona Portuária passaram a exigir dos cariocas total apoio e, nas palavras do prefeito, algum sacrifício. É compreensível que a população reclame de engarrafamentos e de superlotação no metrô e nos ônibus. Mas não se pode tolerar maus comportamentos justamente nas soluções pensadas para melhorar o complicado trânsito do Rio.

É o caso do desrespeito ao BRS, como O DIA mostra hoje. O corredor expresso da Frei Caneca em direção à Tijuca, passando pelo Estácio, começa a ser desrespeitado: a reportagem computou 44 infrações em apenas meia hora, flagrando tanto automóveis quanto ônibus nas faixas erradas.

O BRS não é tábua de salvação, mas, na essência, ajudaria a desafogar vias importantes. Para tal, é imprescindível respeitar a segregação das pistas e garantir aos ônibus espaço livre para circular. Assegurando mais rapidez a coletivos, minimiza-se o impacto da restrição ao fluxo de carros. Mais gente passa a andar de ônibus, criando um círculo virtuoso.

No momento em que se ignoram as regras básicas do BRS, joga-se o planejamento no lixo e se obtém resultado oposto ao que se pleiteava. Atravancam-se os corredores, e ninguém anda. Perdem motoristas e passageiros.

Infelizmente, é preciso apelar para as punições, e as mais eficazes são as que pesam no bolso. Coalha-se o BRS de câmeras e sensores para coibir as invasões. É pena, pois perdem-se nessa ‘educação’ tempo, dinheiro e esforço que seriam muito mais bem empregados na ampliação do sistema. Não é justo reclamar da ‘indústria das multas’ quando não há contribuição para o bem de todos.

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