Por bferreira

Rio - Grandes obras de infraestrutura são, sem dúvida, empurrão e tanto para o desenvolvimento de qualquer cidade ou região. Mas, sem planejamento, o tiro pode sair pela culatra.

Megaintervenções quase sempre trazem a reboque empresas e incremento do comércio, o que significam mais empregos. Mas vêm invariavelmente acompanhadas de problemas como aumento populacional, especulação imobiliária, inflação e pressão sobre os serviços públicos, especialmente Saúde, Educação e transporte. Por isso, não dá para cruzar os braços. É preciso planejar e aproveitar a oportunidade para desenhar que cidade queremos daqui a 50 ou 100 anos.

Desde 2008, quando houve a escolha de Itaboraí para abrigar o Complexo Petroquímico do Estado (Comperj), anunciado na ocasião como o maior empreendimento da Petrobras na América Latina, a cidade deixou de ser somente lugar de passagem para virar a terra prometida. Antes mesmo de o Comperj ficar pronto, chegaram lojas de departamentos, hotéis, restaurantes e até um shopping center. Só pedidos de licenciamento imobiliário foram 1.800 (dados de 2013), sem falar nos 450 pedidos de registro de novas empresas. E o que a prefeitura está fazendo para pensar na cidade para além do Comperj? Ela está preparando-a para, em breve, se transformar num grande polo de serviços e Educação.

Já está confirmada a implantação, ainda este ano, de unidade do Instituto Federal Fluminense e outra do Sistema S (Sesi, Sesc, Senai), ambas instituições de nível técnico, fundamentais para a formação de mão de obra a ser absorvida por essa nova economia que chega — em especial na área de serviços. E estão avançadas as negociações para a instalação de dois campos universitários, da UFF e da Cândido Mendes.

Também estamos entre os 49 municípios brasileiros selecionados pelo Ministério da Saúde para receber faculdade de Medicina da rede privada. Isso virá ao encontro do projeto Mais Médicos Para Itaboraí, aprovado recentemente na Câmara e que permite à prefeitura financiar cursos de graduação em Medicina para alunos oriundos da rede pública local. No Rio, apenas três cidades entraram na lista do ministério: Itaboraí, Angra dos Reis e Três Rios. Obviamente, nada disso estaria acontecendo se Itaboraí não tivesse sido anunciada, há seis anos, como sede do Comperj.

Ser um polo de ensino, uma ‘cidade universitária’, agrega valor inestimável a qualquer município. Não apenas porque passa a ser centro de formação e fornecimento de mão de obra qualificada, mas também porque a presença maciça de jovens ajuda a aquecer a economia local, em especial a área de serviços. Jovens consomem: moradia, alimentação, cultura, entretenimento. Jovens, sobretudo, levam alegria e inovação por onde passam. No que depender de nós, Itaboraí não será apenas mais um município que abriga uma grande refinaria, mas a cidade onde se realizam sonhos.

Prefeito de Itaboraí e presidente do Conleste

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