Por bferreira

Rio - O debate está aberto, sobretudo quando se fala em magistério. A meritocracia sempre existiu de modo sistemático ou assistemático. O fotógrafo que trabalhava antigamente nas praças usava um equipamento que se encontra nos museus. Não é possível sobreviver como ‘lambe-lambe’. Encontrei na Bahia um fotógrafo com 45 anos de profissão, afirmando ter usado na vida mais de 25 máquinas fotográficas. Mesmo assim, estava preocupado com amadores de câmeras digitais. O prazo de validade dele era menor que dois anos. Se não estivesse atualizado de forma assistemática, estaria desempregado. Assim acontece com os cabeleireiros, mecânicos e eletricistas. Deveria acontecer também com todos os professores.

Se um sistema de ensino oferece ao professor condições de trabalho para uso do cuspe e do giz, compara-o ao lambe-lambe. Dele não poderá exigir mérito, porque a avaliação do mérito deve ser do docente e do sistema. Por outro lado, este profissional, diante de uma situação tão crítica, se prezar a própria profissão, deverá estar procurando aprimorar-se por conta própria, até para poder trocar de sistema de ensino. Caso contrário está assinando a própria incompetência junto com o gestor. Nós, professores, se quisermos permanecer como tais, precisamos cuidar de nossa formação permanente, independentemente de o sistema ser público ou particular.

Se a busca do mérito for sistemática, os sistemas de ensino oferecerão formação continuada aos docentes e, aí sim, poderão exigir desempenho compatível e premiar o mérito. O que não pode ocorrer é uma oposição ao mérito para encobrir deslizes profissionais quanto a assiduidade, busca de melhoria e compromisso profissional. Também não se pode admitir a exigência do mérito onde as condições básicas para o bom desempenho sejam sonegadas. Além disso, para concluir, é importante salientar que uma avaliação nesse campo não pode ser pontual e, sim, contínua. As avaliações pontuais carecem de credibilidade porque podem refletir, apenas, aquele momento.

Da parte da sociedade, o mérito é medido pelo resultado do aprendizado. Se o cidadão paga imposto e o gestor não gerencia bem a questão, permanecendo o alunado sem aprender o que deve, alguma medida há que ser tomada porque, todos nós, no setor público, somos funcionários do público.

Pedagogo e escritor

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