Editorial: Não se pode deixar a violência virar regra

Nos últimos dias, as atenções da população do Grande Rio se voltaram para as novas estratégias dentro do processo de pacificação

Por O Dia

Rio - Nos últimos dias, as atenções da população do Grande Rio se voltaram para as novas estratégias dentro do processo de pacificação. Sequência de ataques a bases e dezenas de atentados contra policiais — a conta de 2014 já está em 20 homens e mulheres da lei mortos — levaram a cúpula da Segurança a rever as ações, como este espaço discutiu ontem. Mas é imperioso cuidar também da violência do cotidiano, como O DIA mostra desde domingo. São situações que evidenciam um inaceitável vácuo por parte do Estado.

O editor Alexandre Medeiros, em seu texto de ontem na coluna ‘Cenas Cariocas’, narra a rotina de medo do Pilar, em Duque de Caxias. Arrastões no fim da madrugada e no início da manhã viraram regra, para desespero dos trabalhadores que acordam cedo e precisam se deslocar até o Rio. O cenário de cangaço não se restringe ao Pilar e aflige moradores em quase toda a extensão da Avenida Presidente Kennedy. Ladrões, em motos ou automóveis, agem livremente. A polícia parece não oferecer resistência alguma.

A repórter Christina Nascimento traz hoje a história de abandono da Estação Tancredo Neves, em Santa Cruz, onde funciona boca de fumo. Vendem-se entorpecentes nas plataformas e nos acessos sem que nenhuma autoridade interfira, e o passageiro que depende daquela parada que se habitue.

São duas situações constrangedoras que escancaram falha grave das polícias — a Civil e a Militar. Houvesse um mínimo de patrulhamento ostensivo no Pilar, por exemplo, os comboios de ladrões não circulariam com tanta facilidade. Parece faltar também investigação, já que uma boca de fumo pressupõe estrutura de fornecimento e suporte permanentes.

É evidente que a pacificação, que tantos benefícios trouxe a milhões de cidadãos, precisa dos ajustes em curso. Mas é dever do Estado lutar contra o crime em toda a sua extensão — e deixá-lo virar rotina, como no Pilar e em Tancredo Neves, é impor a moradores uma vida de medo.

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