Por bferreira

Rio - Ações afirmativas sempre levantam polêmica, mas o Estado do Rio, entre os pioneiros a adotá-las, comprovadamente colheu bons resultados. As cotas na Uerj formaram universitários que nada devem a companheiros que passaram pelo vestibular comum. O argumento da falta de preparo logo se mostrou falacioso. Diante desses fatos, é justo apoiar projeto ampliado na Alerj que amplia o acesso de negros e índios no serviço público estadual.

A reserva de vagas segundo a etnia já os beneficiava para cargos no Executivo. Agora, as cotas abrangem também concursos para o Legislativo e para o Judiciário, além do Tribunal de Contas e Ministério Público. É necessário declarar-se negro ou pardo para concorrer aos postos diferenciados. A medida, se referendada pelo governador Sérgio Cabral, deve vigorar por dez anos.

É um contrassenso um país que tem um negro na presidência da mais alta corte do Judiciário ainda perpetuar abismos no que tange à presença de outras etnias nas demais instâncias. O DIA mostrou, em 2012, casos de dedicação como o do desembargador Paulo Rangel, ex-porteiro que devotou-se aos livros, foi o primeiro promotor negro do MP Estadual e chegou ao Tribunal de Justiça. Paulo, assim como Joaquim Barbosa, foram as exceções das exceções.

Assim como as cotas da Uerj, a reserva em concursos tem tudo para reduzir distorções históricas, dando poder a um vasto segmento da sociedade que há anos sofre com todo tipo de discriminação e com injustiças.

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