Por bferreira

Rio - Hoje eu vim aqui falar com vocês que é permitido sonhar. Alias é fundamental sonhar. Essencial. Vital. Diz a música ou a lenda que sonhar não custa nada. Mas eu acho que custa sim. Custa a gente se permitir sonhar, sem culpa e sem dor. E quando eu falo sonhar não quero dizer delirar. Ou seja, não falo em sonhar com a magreza da Silvia Pfeifer, que, diga-se de passagem, é bárbara, ou com a fama da poderosa Gisele Bündchen ou com o cabelo perfeito da Marina Ruy Barbosa ou com o dinheiro de uma Paris Hilton. Sonhar o sonho da vida da gente é que é fundamental.

Mais importante que o delírio. Porque o sonho é construção, é trabalho e é possível. O sonhar a que me refiro é focar e fazer. É ir à luta. É não desistir. É enfrentar. Mas sem brigas, rancores ou lamentos. E, atualmente, o que estou achando é que o sonho não está fazendo parte da vida da maioria das pessoas. O sonho de hoje tem como foco principal o desejo do consumo, o fugaz, o aqui e agora. Até a escolha da profissão e do trabalho obedece a esta mesma lógica do imediato. Escolhe-se a profissão que dá mais dinheiro ou que pode dar mais frutos mais rápido. Uma vez no emprego torna-se urgente subir de posto, aumentar a renda, mudar de patamar. É raro encontrar alguém preocupado, efetivamente, em aprender mais que o outro. O comum é querer ganhar mais que o outro. A competição se dá pelo poder, sem dar importância à competência.

A construção da carreira virou construção da conta bancária. Todo mundo quer ganhar mais. Todo mundo se acha merecedor. Todo mundo quer tudo, muito, pra já. O louvável é quem consegue ficar rico em menos tempo para comprar tudo que o desejo quer. Não é normal. Ou não deveria ser. A vida construída não se dá assim. Sonhar é também viver o passo a passo, ter ética, não roubar, não matar, não fazer tudo para eliminar perversamente o outro, física ou moralmente ou psicologicamente. Ser bom virou sinônimo de ser bobo. Ter caráter é não ser esperto. Qual é a capa de revista que mostra gente do bem? Nesta urgência de sucesso o outro deixa de ser companheiro, passa a ser um inimigo, um concorrente a ser eliminado. Faz tempo que o mocinho da novela é preterido pelo vilão.

Todo mundo quer um mundo melhor, um país mais igual, a cidade mais civilizada. Mas todo mundo quer o milagre. Todo mundo quer o que o outro faça, que alguém se responsabilize. Se a gente não quiser se envolver na construção do chamado mundo melhor ele não vai melhorar sozinho, nem vai melhorar espontaneamente, porque nada se faz por si mesmo. Pode parecer um papo careta. Alias, pode até ser. Mas me permito discordar. E sonhar.

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