Editorial: Questão da Ucrânia pede ações de adultos

Beira a infantilidade o comportamento das nações envolvidas na questão da Ucrânia

Por O Dia

Rio - Beira a infantilidade o comportamento das nações envolvidas na questão da Ucrânia. Rússia, Europa Ocidental e Estados Unidos engataram uma rusga onde egos falam mais alto que o bom senso e camuflam interesses. O imbróglio não pode ser desprezado, pois não se sabe até onde as bravatas dos líderes protagonistas da pinimba podem acabar em ações sérias.

Vladimir Putin é o que mais parece estar se divertindo. Depois do revés em Kiev — cuja população manifestou vontade de se afastar do Kremlin e de estreitar laços com europeus —, desfila, soberano, na contestada vitória da Crimeia. A península, de maioria pró-Rússia, referendou a proposta de anexar o território aos domínios de Putin. Este, numa cerimônia megalômana com requintes despóticos, brinca com a opinião pública do resto do mundo ao fazer “exercícios” militares na fronteira norte da Ucrânia.

Barack Obama, cada vez mais impopular dentro e fora dos Estados Unidos — e com o aval dos aliados europeus —, se diz ultrajado, voltando a bancar o bedel do planeta e distribuindo ‘sanções’, punindo meia dúzia de cidadãos, como se a Rússia fosse uma republiqueta acovardada. Resta saber se as bravatas incluirão “exercícios” da esquadra no Mar Negro.

É preciso mais maturidade no diálogo. O impasse ainda está longe de detonar uma Terceira Guerra Mundial, mas a intransigência generalizada, como se observa nos exemplos acima, em nada contribuirá para a resolução do conflito. Há muito mais em jogo do que os belos conceitos de soberania e nacionalidade, mas as grandes potências escondem os reais interesses.

Há que conduzir a questão com paciência, ouvindo sobretudo a população, e não tomar decisões em seu lugar com base em achismos ou orgulhos de autoridades tão desgastantes na geopolítica.

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