Padre Omar: Ouvir é mais do que apenas escutar

Muitas vezes temos a sensação de que o que sentimos é incontrolável, não é verdade?

Por O Dia

Rio - Nosso humor varia até devido à noite de sono que tivemos, quanto mais quando nos contrariam! Pior ainda é a situação das mulheres, que enfrentam mensalmente as variações hormonais! Muitas vezes temos a sensação de que o que sentimos é incontrolável, não é verdade? E talvez seja mesmo. Mas o que, na verdade, importa é a forma como reagimos, independentemente do que sentimos, sabia?

A minha experiência tem me levado a acreditar que o que faz com que eu possa reagir bem, mesmo diante de uma situação adversa, é a consciência que desenvolvo do respeito ao outro, com suas ideias e intenções, por mais estapafúrdias que elas me pareçam. Viver isso não é nada fácil, mas necessário. São essas minhas pequenas reações positivas e civilizadas, somadas às suas, que tornam o mundo melhor. E, para além disso, testemunham Cristo para muita gente, sendo poderosas aliadas no anúncio do Reino de Deus, de forma a levar tanta gente à conversão.

Neste ano em que nossa Arquidiocese nos convida a viver a caridade, temos, semanalmente, aprendido formas de ter ações concretas para com nossos irmãos, como a bela carta de São Paulo aos coríntios nos ensina. Hoje, nossa reflexão aborda que a caridade: “Não se irrita” (I Cor 13,5b)

Isso é possível só quando focamos no objetivo de, realmente, mais do que escutar, ouvir o que o outro está falando, suas argumentações, motivações e convicções, sem darmos vazão ao nosso ímpeto inicial de retrucar da nossa forma até instintiva.

Atualmente a Pastoral Familiar tem em sua estrutura o setor ‘Casos Especiais’, dedicado ao acompanhamento dos casais em segunda união (aqueles em que pelo menos um dos dois recebeu o sacramento do matrimônio anteriormente e passou pela dor da separação e do divórcio, vindo, mais tarde, a assumir nova relação familiar com outra pessoa). Muitos ainda veem com dificuldade a inserção dessas novas famílias na comunidade paroquial. Já ouvi críticas até mesmo “a esse tipo de amor”... No entanto, os casais que vivem essa difícil realidade são excelentes para nos ensinarem que a caridade não se irrita. Sabe por quê?

Os que assumiram uma nova família passam por muitas situações dolorosas e complicadas, que vão desde o equilíbrio no orçamento familiar — já que, na maioria das vezes, têm que sustentar as crianças da primeira união também — até a questão da aceitação e envolvimento dos filhos na nova relação. Pare para pensar e considere que, certamente, não são poucos os pontos de divergência numa situação como essa. Mas como será que eles os superam e conseguem construir lindas famílias, apesar das dificuldades? Não será a cumplicidade entre eles e a tolerância que os conduz? Isso é fruto do respeito mútuo! Eles são sempre exercitados na prática do ouvir o outro e se esforçar por compreendê-lo, sem se irritar. Converse com um deles!

Eu reconheço que preciso ouvir mais do que apenas escutar, para conseguir reagir diferente em situações controversas. E você? Está disposto a compreender mais para não se irritar? Então, ‘tamu junto’!

Padre Omar é o reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail padreomar@padreomar.com. Acesse também www.padreomar.com e www.facebook.com/padreomarraposo

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