Por bferreira

Rio - Como fazer andar toda uma escola de samba, que esquece o samba, grita e se descabela ao avistar Cauã Reymond sentado numa das frisas, ao lado do Governador da Provincia de San Luis, Argentina? Foi o que aconteceu, pois “Rorrito”, de ‘Avenida Brasil’, está estouradaço em terras portenhas, enlouquecendo inclusive o Carnaval de Rio em San Luis. Meu amor, não é qualquer um que consegue engarrafar um desfile, e mesmo os diretores de harmonia empurrando e ordenando que guardassem suas máquinas fotográficas, de nada adiantava, pois todos os desfilantes queriam tocar a mão ou bater una fotita com Cauã. Meu erro foi não ter colocado uma roda sob seus pés, e tê-lo usado como abre-alas, pois eu, jurado, dei dez para a comissão de frente dele, e seu respectivo recuo da bateria. Dez, nota dez.

E além desta estrela, conheci uma mulher admirável, que veio com a Ami 7, empresa que traz 2 mil sambistas para fazer este Carnaval fora de época: Dona Rita do bairro do Rocha, 75 anos, nega durinha, que me contou, hilária, que chega na feira, vai dando as ordens para os barraqueiros, encomendando frutas, legumes e carnes, senta para tomar sua cerveja, bebe todas, e depois sai recolhendo ou recebendo tudo o que encomendou antes da bebedeira. Típica partideira de velha-guarda, são senhoras como esta que guardam o segredo do deixa a vida me levar. E que se revelam felizes nos três dias dentro do ônibus rumo ao samba internacional.

Foram três dias de desfiles, no evento que se chama Carnaval de Rio em San Luis, província no centro da Argentina, quando duas escolas de cariocas se apresentaram ao lado de uma outra criada aqui há cinco anos, quando este projeto começou, e que se chama Sierras Del Carnaval. Aqui as montanhas, como no Rio, fazem parte da paisagem. Um frio de 5 graus fez as mulatas de biquíni tremerem ainda mais. Uma realização da Ganga Zumba, de Antonio Pitanga, com projeto de inclusão social dirigido pela competente Celia Domingues, da Mangueira. Muito bacana ver uma geração de artistas e técnicos sendo formados, exclusivamente para erguer a linguagem narrativa criada pelo batuque do Rio de Janeiro. Antes, por aqui só existiam as Comparsas e as Murgas, espécie de blocos. Agora toda a região bomba em turismo e negócios, provando que o Carnaval é mais que entretenimento. Sem contar que os mulatinhos começam a nascer, os filhos do Carnaval, colorindo a cidade antes branca e refazendo a trajetória da miscigenação que nós, brasileiros, conhecemos tão bem. Imaginem 500 negões soltos numa cidade cujas mulheres são fascinadas pelo borogodó dos malandros.

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