Editorial: Um basta à barbárie incendiária no Rio

O ato público legítimo e pacífico das ruas, no entanto, nada tem a ver com a onda de protestos que degringolaram para ataques incendiários a ônibus

Por O Dia

Rio - As manifestações que explodiram nas ruas do Rio e em todo o país em junho do ano passado são uma linda página na recente história da política brasileira. Inauguraram nova forma de diálogo entre a população e os governantes, acentuando os laços democráticos e a cidadania. Cansada após décadas de espera por demandas não respondidas pelo Estado, a sociedade correu às ruas e gritou por mais saúde, educação, transporte e contra a corrupção e os maus políticos, entre outros. O ato público legítimo e pacífico das ruas, no entanto, nada tem a ver com a onda de protestos que degringolaram para ataques incendiários a ônibus que tomam as ruas do Rio de Janeiro e assustam a população.

É uma rotina de pavor, perpetrada por pequeno grupo, que incorre em crime e precisa ser combatido com os rigores da lei. O vandalismo nada acrescenta à democracia. Ao contrário, só fortalece o discurso reacionário que generaliza e incrimina os movimentos sociais. E, pior ainda, volta-se contra o próprio trabalhador, que precisa do transporte público diariamente.

Como mostrou ‘O DIA’ em sua edição de ontem, só este ano, a barbárie incendiária destruiu 23 coletivos, uma incrível marca de dois por semana, deixando prejuízo de R$ 8 milhões. Além de amargada por donos das empresas, a conta desse prejuízo com a redução da frota também é paga com mais sofrimento e transtornos no dia a dia por milhares de usuários que dependem dos ônibus.

Sob nenhum pretexto reivindicatório, nada justifica ação que leve à destruição de patrimônio público e privado, que subtraia direito constitucional de ir e vir do cidadão, muito menos que lhe tire precioso bem — para a grande maioria único meio de locomoção ao trabalho — que são os ônibus. É preciso dar um basta à barbárie.

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