Editorial: Desenvolvimento local e a mobilidade no Rio

É um erro acreditar que toda solução para a mobilidade urbana tenha necessariamente de passar por rodízios de carros, traçados de metrô, mais oferta nos trens ou corredores exclusivos para ônibus

Por O Dia

Rio - É um erro acreditar que toda solução para a mobilidade urbana tenha necessariamente de passar por rodízios de carros, traçados de metrô, mais oferta nos trens ou corredores exclusivos para ônibus. No tenso sistema de transporte de massa do Grande Rio, alternativas são cada vez mais bem-vindas — e talvez sejam indispensáveis. Estudo do Sebrae que O DIA mostrou no domingo ensina o caminho das pedras para uma metrópole justa para todos os cidadãos: incrementar os negócios fora dos grandes centros.

A Baixada é a região que mais sofre com as agruras do transporte. Trens deficientes e desconfortáveis e rodovias saturadas servem à população, que chega a perder cinco horas por dia nos deslocamentos. Martírio e prejuízo inaceitáveis para um estado em preparação para grandes eventos e destino permanente de turistas de todos os continentes. Ciente desse tempo desperdiçado, o Sebrae estudou o que querem os moradores de lá. Descobriu que sobra disposição para tocar o próprio negócio, mas faltam iniciativas e sobretudo apoio.

Desnuda-se, assim, uma deficiência crônica do Rio — e que se repete em graus diferentes nas grandes capitais brasileiras: a absurda concentração de empregos. Daí haver centros apinhados de gente, para onde afluem milhares de trabalhadores por hora, e não existem meios de transporte que deem conta disso — a menos que funcionassem com eficiência alemã e pontualidade britânica, mas no Rio não se tem nem uma coisa, nem outra. Se o trem descarrilha, ônibus superlotam, e muitos ficam presos em seus subúrbios. Se há um mísero acidente numa Dutra ou numa Brasil, tranca-se a cidade. Ninguém entra ou sai.

Não se está pedindo uma revolução ou uma expropriação de indústrias ou serviços, para impor um êxodo para a Baixada. Trata-se de ampliar as oportunidades, de espalhar empregos, de promover o desenvolvimento de todas as regiões. Ajuda a melhorar o trânsito e a elevar a qualidade de vida.

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