Por bferreira

Rio - Sérgio Cabral deixou o governo do Rio de Janeiro para disputar mandato eletivo no Legislativo em outubro, dando continuidade a uma carreira vitoriosa. Foi vereador, deputado estadual — quando comandou a Assembleia Legislativa com sucesso —, senador e governador por dois mandatos, sendo que, no último, eleito logo com quase 70% dos votos. Governou com maioria na Assembleia e respaldo nas forças mais atuantes da sociedade.

O Rio tem vivido um momento muito feliz em termos de crescimento econômico sustentado, investimentos na infraestrutura, modernização nas políticas de Saúde, Educação, transportes e segurança pública. Fez ressurgir o agronegócio. A habilidade do governador teve apoio popular, especialmente quando ajudou a eleger o prefeito da capital, Eduardo Paes, e a manter as melhores relações com o governo federal, e com o aliado PT, a tal ponto que hoje conta com a solidariedade eleitoral dos principais prefeitos do partido da presidenta.

No meio do caminho, quando vivia o auge do reconhecimento, com o entusiasmo do setor privado, que voltou a investir no estado, e sendo o primeiro governo estadual a ser recomendado no mercado internacional, foi atropelado por uma tragédia. E por um alegre jantar no exterior gravado e jogado maldosamente na internet. Como se fosse proibido um governante ter momentos de alegria com amigos em viagem, mesmo que com agenda oficial.

A campanha encontrou terreno fértil na população menos esclarecida, por incrível que possa parecer na burguesa e alienada classe média e nos seus filhos, no despeito de políticos que governaram o Rio na base da demagogia. E, ao que tudo indica, na convicção de que um prato de comida a um real compra a simpatia popular.

Parece que o inferno astral do ex-governador está passando. Afinal, o povo não é bobo, o trabalho do governo está aí e nem precisa ser enumerado, o que se refletirá nas próximas pesquisas eleitorais, certamente. Sérgio Cabral repete nas conversas com jornalistas e políticos que confia no eleitor para reconhecer em seu vice e atual governador, Pezão, peça-chave nos seus dois mandatos, a continuidade sem surpresas. Preferiu fixar-se desde o início em nome que aliasse correção, conhecimento na intimidade dos problemas do estado, bom caráter — o que é fundamental na política — e o bom senso do homem público voltado para os altos interesses do estado. Sem demagogia, sem atacar ninguém, com a simplicidade dos bons e uma incrível disposição para o trabalho.

Uma pena que a política tenha esse lado cinza — na expressão usada pelo Dr. Tancredo — em que circulam os maldosos e inescrupulosos. Para ficar em palavra do momento, na verdade, Sérgio Cabral foi vítima de um bullying político, que vem superando com base no tamanho de sua obra.

Aristóteles Drummond é jornalista

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