Por bferreira
Publicado 18/04/2014 00:05

Rio -‘Queremos mais saúde e educação!’ Este parece ser o lema da sociedade brasileira. Talvez seja a frase mais pronunciada nas discussões políticas informais. Sempre presente nas manifestações populares, toma fôlego em 2014, ano da Copa no Brasil e de eleição. Desnecessário frisar sua importância para qualquer sociedade. Fornecer saúde e educação de qualidade não é chavão. É dever constitucional do Estado, partilhado com os entes da federação, e passaporte para uma sociedade menos injusta e desigual.

Estamos em ano de eleição para o Executivo federal e estadual. Alguns dos atuais chefes do Executivo concorrerão à reeleição, outros tentarão emplacar sucessores. Para ajudar na decisão do voto do eleitor, tão atento às áreas, o legado prévio entra como componente da análise estratégica. O que os candidatos fizeram ou ajudaram a fazer nesses campos? Quem investiu mais?

Observando a variação do gasto em Saúde e Educação nos estados, verificamos, a partir dos dados do Tesouro, crescimento considerável nos anos 2000. Ficando apenas no Estado do Rio, ao compararmos os governos Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral, vemos que o gasto em Saúde passou de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,8 bilhões entre 2003 e 2006, aumento de 100%, enquanto o de Educação foi de R$ 4,5 bilhões para R$ 5,1 bilhões, aumento de 13%, no governo Rosinha. Já no primeiro governo Cabral (2007-2010), o gasto em Saúde foi de R$ 2,5 bilhões para R$ 3,5 bilhões (40%), e em Educação, de R$ 5,6 bilhões para R$ 6,2 bilhões (11%).

No segundo mandato, o gasto na primeira área partiu de R$ 3,8 bilhões, chegando a R$ 4,2 bilhões (10%) em um ano (os dados disponíveis vão até 2012), enquanto na segunda área foi de R$ 6,8 bilhões a R$ 7,6 bilhões (12%). A variação desses gastos, nos três períodos de governo, ficou acima da média nacional: R$ 1 bilhão para a Saúde e R$ 1,6 bilhão para a Educação, entre 2003 e 2006; R$ 1,8 bilhão em Saúde e R$ 2,5 bilhões em Educação, entre 2007 e 2010, e R$ 2,4 bilhão em Saúde e R$ 2,5 bilhão em Educação, entre 2011 e 2012.

Claro que o gasto por si só não diz nada sobre a sensação de melhoria da população, pois deve estar atrelado a políticas e gestões competentes. Contudo, os dados indicam que houve ampliação nos investimentos nas áreas nos últimos anos. É preciso atenção ao debate eleitoral para que nossas escolhas não tragam retrocessos às conquistas alcançadas em termos de gasto social.

Cristiane Batista é diretora da Escola de Ciência Política da Unirio

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