Por thiago.antunes

Rio - A irreparável injustiça vivida por Vinícius Romão não pode cair no esquecimento jamais. História de preconceito, de racismo e de sucessivos erros das autoridades policiais e judiciárias, que, repulsivamente, ainda faz parte do cotidiano de uma ‘certa parte’ da nossa sociedade.

Foi com o Vinícius, um ator de TV, mas certamente quantos Vinicius sem rosto e sem novela viveram ou viverão situação semelhante? Poderia ter sido com o meu ou com o seu filho, jovem como tantos outros e com o mesmo tipo físico e os mesmos jeitos de outros Vinícius de sua geração, que andam distraídos por aí. A Justiça não pode ser seletiva jamais!

Vinícius Romão foi preso sem que houvesse flagrante e, entre outros equívocos, com uma investigação pífia, que negligenciou provas e se baseou num único testemunho, colhido arbitrariamente. Sob a custódia da polícia, foram-lhe negados direitos elementares garantidos na Constituição de seu país. Errou a autoridade policial e, mais grave, a judiciária corroborou.

Tratava-se de um psicólogo, ator, filho de um coronel, trabalhador, que graças à grande mobilização de amigos teve sua história revelada ao país, provocando comoção nas redes sociais e nos grandes veículos de imprensa. E que ainda assim continuou preso por 16 dias! Imagina um trabalhador pobre, desassistido, apenas um rosto na multidão...

E se em vez da polícia, fosse um grupo de ‘justiceiros’, como no caso recente ocorrido na Zona Sul do Rio, grotescamente, aplaudido por uma apresentadora de um influente telejornal? A injustiça e a barbárie nos assombram. O racismo, desprezível e de triste memória no início do século passado, volta a atemorizar jogadores de futebol em pleno século 21. E ainda há quem defenda que não existe racismo no Brasil.

A solução está em cada um de nós, e na conscientização de que só no combate sem tréguas, diuturno, contra todas as formas de preconceito, isso poderá mudar.

Edmilson Valentim - Como deputado, foi autor da lei que criou o Conselho Estadual dos Direitos do Negro

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