Por thiago.antunes

Rio - As manifestações que travaram a Linha Vermelha e as principais avenidas de Copacabana ontem à tarde podem não ter relação direta, mas ambas decorrem da debilidade do Estado na ordem pública e são fruto da cada vez mais destruidora ira protestatória — embora acéfala, na maioria das vezes. Perdem os trabalhadores, novamente impedidos de voltar para casa, e perdem sobretudo as causas, diluídas numa raiva que pouco transmite, apenas grita.

O caso mais grave é o da morte do dançarino no Pavão-Pavãozinho, que gerou onda de protestos com bombas e incêndios. As circunstâncias ainda estão nebulosas, mas já sobressaem dúvidas acerca da abordagem da polícia. A versão oficial dá conta de que o jovem morreu numa queda.

Moradores afirmam que o rapaz, perseguido, foi morto por esganadura dentro de uma escola. Nenhuma das narrativas, porém, dá salvo-conduto para o que se sucedeu: barricadas de fogo e um tiroteio com traficantes, o que põe em dúvida a legitimidade do ato.

Na Linha Vermelha, a causa é prosaica: a construção de guarda-corpos. Causa estranheza o fato de o protesto ter acontecido justamente no dia em que a via era a única opção de escoamento, diante da interdição da Avenida Brasil.

Falhou o poder público, que não conseguiu manter a ordem, mas errou quem aderiu à tática suicida de disseminar a violência. Existem meios mais civilizados de expor divergências, expressar insatisfação e cobrar mudanças.

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