Aristóteles Drummond: Planejamento econômico

Roberto Saturnino Braga tem autoridade para comentar a história dos últimos 60 anos que viveu intensamente, desde que se formou e ingressou nos quadros do BNDES

Por O Dia

Rio - Roberto Saturnino Braga, respeitado economista de esquerda, dois mandatos de senador, um de prefeito do Rio e um de vereador, tem autoridade para comentar a história dos últimos 60 anos que viveu intensamente, desde que se formou e ingressou nos quadros do BNDES. Assim como dois outros respeitados economistas, Juvenal Osório e Cleanto de Paiva Leite, competentes e da mesma linha ideológica.

Por mais de uma vez, Saturnino destacou a importância do planejamento econômico, sem o qual não existe desenvolvimento confiável. E é bom lembrar que o mesmo foi implantado no Brasil a partir do BNDES e pelo seu primeiro diretor, e depois presidente, Roberto Campos, como reconhece o ex-senador — de pensamento ideológico divergente do de Braga.

Grande diplomata, economista, intelectual e depois parlamentar por 16 anos, Roberto Campos mais tarde teve a oportunidade de criar o Ministério do Planejamento, em 1964, com o presidente Castelo Branco. Dali, gerou o primeiro programa de desenvolvimento econômico e social do Brasil, que incluiu a criação do Banco Central, do Banco Nacional da Habitação, do FGTS. E isso sem contar o Decreto-Lei 200, que fez a reforma administrativa e outros instrumentos compatíveis com um país que queria deixar de ser a 46ª economia do mundo para chegar, como chegou em 1985, a ser a oitava.

Recordar a história e esses dois notáveis Robertos, um mais à esquerda e outro mais à direita, é oportuno quando se sente que nossa economia carece de um programa de médio e longo prazos, incluindo obras públicas, programas de mão de obra qualificada, desburocratização e instrumentos para agilizar o Judiciário — que assusta investidores pela sua lentidão —, sem falar nas leis trabalhistas que inibem a criação de empregos. Não temos um programa com substância a apresentar ao mercado de investidores, especialmente as empresas industriais e prestadores de serviços de que necessitamos para melhorar a competitividade de nossos produtos.

Temos de debater se queremos entrar na disputa na captação de novos negócios, avançar na busca da melhor tecnologia, atrair quadros de excelência na gestão, ou se preferimos uma política nacionalista, voltada para atender classes menos favorecidas em suas necessidades atuais, sem as libertar da ignorância e do subemprego. Se queremos adotar posturas praticadas, por exemplo, na União Europeia, ou se preferimos uma identidade maior com nossos vizinhos que adotaram os ideais denominados de “bolivarianos”. Ficar no muro não nos levará a lugar algum. Ou nos conduzirá a um perigoso destino.

O mundo vive da informação. Quer saber onde estamos e para onde vamos.

Aristóteles Drummond é jornalista

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