Emanuel Cancella: O complexo de vira-lata

Os EUA são patrocinadores das guerras contemporâneas, todas, sem exceção, com apoio dos seus aliados europeus

Por O Dia

Rio - Volta e meia somos abordados por alguém, normalmente de volta de uma viagem ao exterior, que, em êxtase, discursa: “Fui ao EUA ou à Europa, e lá tudo é diferente! Você passa pelo metrô, pedágio, jornaleiro, e não tem cobrador. Você anda nas ruas e está tudo limpinho, ninguém joga lixo no chão. Não tem batedor de carteira, trombadinha, assalto à mão armada não tem, é segurança total!” Nelson Rodrigues chamava esse comportamento de “complexo de vira-lata”.

Mas os europeus saquearam o mundo: portugueses, espanhóis, ingleses, entre outras coisas, levaram nosso ouro e ainda hoje, em pleno século 21, manipulam para extrair nosso petróleo, na mão grande! Podemos chamar de roubo tamanho GG.

No Brasil não existe paraíso fiscal, local de lavagem de dinheiro. Muitas ‘lavanderias’ são colônias europeias. A Suíça, por exemplo, tem contas bancárias numeradas, para deixar anônimo o traficante, o quadrilheiro, o mercenário que se vende para matar, extorquir e sequestrar.

Os países do primeiro mundo ‘vendem’ lixo químico, pneus velhos e rejeitos radioativos para os países pobres. Indústrias de borracha, como a Michelin, em Campo Grande, e a siderúrgica ThyssenKrupp CSA, em Sepetiba, com complacência de todos os governos, incluindo até incentivos fiscais, vêm montar fábrica no Brasil. Imagine uma indústria com esse poder de poluição na Europa. Jamais!

Os EUA são patrocinadores das guerras contemporâneas, todas, sem exceção, com apoio dos seus aliados europeus. São esses países, EUA e os da Europa, os grandes fornecedores de armas ao mundo. Vendem para quem tiver dinheiro: para atiradores de escolas, para traficantes e também para exércitos de mercenários, como na Síria, Afeganistão e Iraque.

Nos EUA, nesta semana, aconteceu a Maratona de Boston — há um ano, nesse mesmo evento, houve um atentado terrorista, com três mortos e 176 feridos. E, depois disto tudo, me responda, onde está mesmo a violência? Estava ouvindo uma música de Belchior, ‘Divina Comédia Humana’, cuja letra diz: “Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto...”. Já eu escrevo. Coisas que raramente alguém publica, mas são verdades!

Emanuel Cancella é coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros e do Sindipetro-RJ

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