Rio - Qual seria a sua opção diante dessas duas situações: uma ferramenta excelente nas mãos de um profissional inexperiente ou, então, uma ferramenta não tão boa nas mãos de um excelente profissional? É provável que você me pergunte se não seria possível ter a melhor ferramenta nas mãos de um excelente profissional. É claro que essa seria a melhor opção. Mas, não havendo essa possibilidade, certamente sua escolha recairá na segunda opção, onde as mãos excelentes de um profissional fariam a diferença.
O nosso cotidiano dá conta de distribuição em larga escala de tablets e notes para os professores. As escolas públicas convivem com salas de informática, e as novas tecnologias não estão mais distantes das salas de aula, sobretudo nas regiões urbanas. Nas rurais continuam escassas. No entanto, essas tecnologias dependem das mãos e do cérebro de quem as usa e das condições para seu funcionamento. Graves situações acompanham a distribuição dos tablets e dos notes e a instalação de salas de informática.
O que adianta entregar tablets se a escola não dispuser de internet? A diretora da escola terá de permitir que a pesquisa seja feita no bar da esquina onde há uma rede wi-fi. De que adianta instalar uma sala de informática quando as secretarias de Educação não têm condições de contratar um técnico para ali trabalhar porque este quadro não existe no planejamento da prefeitura?
Algo de positivo pode surgir, mesmo assim: o professor poderá trabalhar em casa, se lá houver acesso à internet. As escolas poderão se sentir pressionadas para instalar redes, diante do problema surgido a partir da distribuição dos tablets ou notes.
Então, qual seria a melhor solução diante de tantos investimentos de grande valor? Pensar de modo sistêmico. Não devo fazer uma coisa separada da outra. Não há pensamento mais atrasado, hoje, que o velho ditado: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa; ou então, cada um por si, e Deus por todos.
Numa visão sistêmica, devo pensar na distribuição, na preparação dos profissionais e nas condições de um ambiente que exige as redes em pleno funcionamento. Há um ditado clássico que as pessoas esquecem: se numa ferrovia de 3.000 quilômetros tivermos três metros sem os trilhos, o trem não passa!
O valor dos investimentos só será compensado com o retorno que eles proporcionarem. Este retorno não depende de acionamento de uma parte do sistema e, sim, de todo ele, porque ferramenta é importante, porém, não é tudo!
Hamilton Werneck é pedagogo e escritor