Por thiago.antunes
Publicado 28/04/2014 23:38

Rio - Em 1977, a revista ‘The Economist’ cunhou o termo ‘doença holandesa’ para diagnosticar os sintomas de desequilíbrios que a exploração de recursos naturais finitos causa nas economias que dependem da exportação de gás e petróleo. O fenômeno teve como ponto de referência a Holanda dos anos 70, quando foram descobertas as reservas de gás natural.

Na época, a exploração do produto atraiu capital de empresas estrangeiras, gerando entrada maciça de dólares. O florim sobrevalorizou, e novos empregos foram criados no setor, mas as empresas que estavam voltadas para o mercado internacional perderam competitividade.

No Estado do Rio, os economistas debatem a tese sobre as cidades de Campos e Macaé, que passam por processo semelhante. O professor Carlos Lessa, da UFRJ, é pragmático diagnosticando os efeitos devastadores da ‘maldição do petróleo’ sobre os outros setores da economia local.

Macaé e Campos receberam mais de R$11,2 bilhões em repasses dos royalties do petróleo (de 2006 a 2012, corrigidos pelo IPCA). O Produto Interno Bruto e a renda per capita são indicadores fictícios, pois a riqueza gerada no mar é remetida para os países de origem das empresas estrangeiras que se instalaram na região. A fuga de capitais repatriados deixa como herança um passivo social de favelas, epidemias e tecido social fértil para germinar as sementes do crime e da violência.

O governador Pezão tem que ocupar ‘lacuna desumana’ deixada pelos os prefeitos que não estabeleceram medidas preventivas para gerar novos horizontes aos adolescentes que ficarão desempregados no futuro pela falta de Educação de qualidade no Ensino Básico e pela falta de alternativas de empregos em outros setores da economia. A exaustão da exploração do petróleo deverá levar os municípios ao colapso financeiro e social, com ônus para o Erário.

Para alterar o quadro político caótico da Educação na região, é preciso radicalizar a democracia, com debates nos conselhos comunitários e com diretores de escolas para implantar o orçamento participativo. Radicalizar o debate é o ponto de partida para mudar o voto nas próximas eleições.

Alternar o poder das oligarquias das famílias, abolir o Carnaval fora de época, acabar com obras de maquiagem e sambódromos são os primeiros passos para reverter a tendência de futuro caótico projetado pelos economistas e cientistas sociais. Os indicadores do ensino e da violência nas escolas nestas cidades fotografam o diagnóstico. E aí, governador? Como mudar?

Wilson Diniz é economista e analista político

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