Por bferreira

Rio - Claro que as coisas andam confusas na mobilidade urbana em função das obras na região do Porto do Rio. Mas os trabalhos estão em ritmo correto, áreas vão sendo liberadas, e construções, erguidas, levando-se a crer que tudo estará arrumado até 2016 — e já no ano que vem teremos trechos importantes prontos. Obra comparável às de Pereira Passos e Negrão de Lima. Este alargou a Avenida Atlântica, abriu os acessos à Barra da Tijuca e completou o Aterro do Flamengo, que iniciou como prefeito e terminou como governador, com boa parte dos trabalhos, no meio, realizada por Carlos Lacerda. Mas, como as obras não afetaram a população em seu dia a dia, foram menos polêmicas.

Agora, é como se estivéssemos mexendo em nossas casas, o que nos dá alegria e empolgação, mas trabalho e transtornos. Temos de ter paciência, colaborar, pois o progresso exige sacrifícios altamente compensados. Até as críticas ao trajeto do metrô, que tem certo sentido, estão sendo explicadas — como a urgência de se chegar à Barra da Tijuca — e reparadas — no caso do projeto ligando a Gávea, via Jardim Botânico, ao Centro. Obra ruim é a que não é feita. Gestor ruim é o que não faz nada para não desagradar ou por mera falta de visão. O Rio carecia de gente ousada e trabalhadora.

JK quase foi crucificado pela meta-síntese, Brasília, que hoje é uma realidade e efetivamente levou o progresso ao Centro-oeste e não prejudicou o Rio. O que podemos ter perdido se deve à escolha infeliz de governantes medíocres, omissos, quando não profissionais da demagogia. Entre Lacerda e Negrão e Sérgio Cabral-Pezão-Eduardo Paes, algo se deve a Faria Lima, Marcos Tamoyo e Cesar Maia, na capital. Todos do intervalo, entretanto, não chegam perto dos exemplares e dinâmicos Lacerda, Negrão e agora a trinca referida. No antigo Estado do Rio, a referência ainda é o governador, duas vezes, Amaral Peixoto, homem de visão, verdadeiro estadista. Mas que também sofreu nas mãos dos derrotistas.

Vamos ser otimistas, mais racionais e menos emocionais. Vamos pensar nossa cidade e o nosso estado com pragmatismo e não com implicâncias. E os governantes devem ficar atentos às cartas dos leitores dos jornais, aos depoimentos dos políticos em campanha para os legislativos, no sentido de não ficarem distantes dos anseios imediatos da população. Isso tudo para ficarmos salvos do retrocesso e vermos a democracia exaltada. Depois das obras, nossa cidade ficará mais bonita.

E nossas casas, valendo mais!

Aristóteles Drummond é jornalista

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