Por bferreira

Rio - Que a vida é feita de escolhas todo mundo sabe. De erros e acertos. Na casa da gente, na vida da gente, na cidade, no país e no mundo que a gente vive. E não há como escapar disto. Mas nem toda escolha é razoável. Destruir o bem comum não é escolha legítima. Por que é que alguém quebra ou destrói um bem comum? Por que destruir uma unidade de saúde, para que deixar a vida de todo mundo, que já é tão difícil, pior ainda? As imagens de destruição da Unidade de Saúde do Complexo do Alemão chocam mais que outras imagens violentas porque não têm lógica nem justificativa, não fazem bem a ninguém e só prejudicam a vida de todos. Assim como quebrar pontos de ônibus, incendiar lixeiras, queimar ônibus ou destruir o mobiliário urbano. Melhora a vida de quem? Piora o que já não é bom, nem tão eficiente como todos gostariam.

A tese do ‘pior é melhor’ é antiga e repetida em momentos estratégicos, sempre sustentada por gente que escolheu o caos e é perverso no objetivo e na ação. Li, aqui mesmo, no Dia, que já são 45 ônibus queimados este ano aqui no Rio. É lógico que o transporte público vai ficar pior. Os donos destes ônibus terão algum prejuízo, mas nem tanto, porque eles têm seguro e receberão pelas despesas. Claro que o seguro no ano que vem vai ficar mais caro, mas eles darão um jeito de repassar mais esta conta. Quem paga? A população que depende destes ônibus e que vai sofrer ainda mais na ida e volta pra casa, como se já não bastassem todas as dificuldades com a frota completa em circulação.

Ontem, 10 mil crianças ficaram sem aulas no Alemão e na Pavuna, certamente para desespero de pais e mães trabalhadores que já têm muitas dificuldades para organizar o dia a dia, com tudo funcionando. Atrasa o país. O medo está instalado em todos os segmentos da nossa sociedade. Medo de morrer queimado, de não ter médico, não ter como chegar em casa. A quem interessa que continue? Aos bandidos que não querem a UPP, porque ela prejudica o seu “negócio” ou o seu poder. Mas será que só a eles? Claro que não. Os objetivos políticos, a busca da vitória eleitoral também são aliados poderosos e facilitadores de quem se alimenta do caos.

O governo instalado também não foi eficiente o bastante para levar junto com as unidades pacificadoras os serviços sociais necessários, uma polícia menos invasora, uma melhoria real, mas não tem o direito de deixar este projeto ir por água abaixo. O fim das UPPs não pode acontecer porque não atende a população trabalhadora e do bem. Não pode nem deve ser admitido como hipótese. É bom deixar isto claro. Mas não dá para ficar só no discurso. É hora de reagir com coragem e com ações.

E-mail: [email protected]

Você pode gostar