Editorial: É preciso desmontar a bomba na Ucrânia

Os mais alarmistas garantem que a crise da Ucrânia já apresenta todos os elementos de uma guerra clássica

Por O Dia

Rio - Os mais alarmistas garantem que a crise da Ucrânia já apresenta todos os elementos de uma guerra clássica: superpotências em desalinho, nacionalismo inflado, interesses econômicos e exploração de fragilidades. De fato, o imbróglio no Leste Europeu tomou rumos preocupantes nos últimos dias, com o abate de helicópteros de Kiev (por definição, pró-Europa e pró-EUA) por separatistas aliados à Rússia. Diplomaticamente se fala em sanções e sobra palavrório, mas, por baixo dos panos, montam-se exércitos na região, como Putin fez. O mundo é bem diferente daquele da Guerra Fria, quando vivia-se num estado permanente de tensão e de troca de ameaças, mas a paz de hoje pode ser varrida para longe se os conflitos em Donetsk se acirrarem.

Como toda quase guerra, a questão ucraniana tem razões oficiais e objetivos escusos. O país era, depois da Rússia, a joia da coroa da União Soviética. Sua posição estratégica, em frente ao Mar Negro, interessa a europeus e a russos. Seu campo industrial é invejado, bem como as finanças, e por seu território passa o gás que impede que a parte ocidental do continente congele no inverno. Mas os líderes se atêm a afinidades nacionais, a soberanias e a direitos históricos, noções muito mais difusas do que as peças que estão em jogo. E cabe lembrar que não são poucos os países que ainda tentam se recuperar de crises econômicas — um componente altamente inflamável em momentos tensos.

A fase da cautela já passou. É hora de clareza e franqueza, com menos insinuações e ameaças vagas. O risco de se estourar um conflito local com poder de se disseminar mundo afora é real, o que seria um retrocesso diante de tanto tempo em paz. Se há interesses na questão, que se discuta abertamente.

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