Marcus Tavares: Eleições à vista!

Lembro-me do dia em que eu tirei o título de eleitor. Minha tia fez uma grande festa

Por O Dia

Rio - Lembro-me do dia em que eu tirei o título de eleitor. Minha tia fez uma grande festa. Destacou a importância do exercício da cidadania por meio do voto, me mostrando que eu tinha em mãos um documento, um passaporte, que deveria ser motivo de alegria, poder e de transformação por um país melhor. Era o início da redemocratização do país.

Boas lembranças e ensinamentos que tento reproduzir na sala de aula, a cada ano, com as novas gerações. Sim, é verdade que se trata de um grande desafio aproximar nossos jovens desta discussão, de instigá-los a participar deste processo democrático. Assim como nós, adultos, boa parte deles está desacreditada com o nosso sistema político — o que é perfeitamente compreensível à luz de tanta corrupção, desonestidade e falcatrua.

Mas que alternativa nos resta? Em nosso Estado Democrático de Direito, o voto é, sem dúvida, o instrumento que temos para exercer nossa cidadania plena, para nos fazer ouvir e representar. Longe de qualquer conotação política-partidária, é preciso e necessário, portanto, incluir os jovens neste debate. Afinal, não são jovens críticos, criativos, autônomos e responsáveis que queremos formar? Como não discutir política? Como não incentivar a participação por meio do voto, ainda mais num ano de eleições presidenciais e governamentais?

A próxima semana é, por exemplo, decisiva. Termina quarta-feira o prazo para que os adolescentes de 16 e 17 anos — cujo voto não é obrigatório — tirem o título de eleitor. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, os interessados devem procurar o cartório ou a zona eleitoral mais próxima. Eles têm este direito, e creio que temos o dever de incentivá-los. A esperança deve existir e se perpetuar entre as gerações.

Depois de tantos movimentos legítimos e pacíficos nas ruas do país, que aconteceram nos últimos meses, a participação do voto jovem nas eleições é consequência não só esperada, mas necessária. Uma parcela que pode e — espero — faça diferença.

Marcus Tavares é professor e jornalista especializado em Educação e Mídia

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