Por bferreira

Rio - A greve dos rodoviários que ontem paralisou a cidade é a terceira, em três meses, deflagrada em dissonância com o que pregam representantes legais da classe. Foi assim com os garis, no Carnaval, e está sendo assim com os operários do Comperj, em Itaguaí. Discordância é prerrogativa de toda democracia, mas esses três movimentos têm componentes que tornam as pelejas mais complexas. Não há como descartar, em todos os casos, suspeita de peleguismo, aparelhamento político dos levantes e uma espécie de terrorismo.

Em relação ao levante dos motoristas, sobram versões. Há a voz do sindicato, contestado por insatisfeitos que obtiveram êxito na greve, e a posição dos empresários, que apontaram um altíssimo número de ônibus avariados. E existem mais incongruências no que toca aos piquetes — se houve ações armadas ou não. No meio disso tudo, a população prejudicada, com bairros inteiros isolados — caso de grande parte da Zona Oeste, aonde não chegam trens ou metrô — e milhares sem poder ir trabalhar ou voltar para casa.

Estava prevista para hoje assembleia que pode decidir por nova paralisação, desta vez por tempo indeterminado. Pede-se bom senso a todos. Direito de greve é sagrado, mas em hipótese alguma se justificam piquetes com homens armados, quebradeiras ou muito menos ameaças a motoristas em atividade.

Em vez de versões desencontradas, que se busque a concórdia e se garanta o direito de trabalhadores e o de ir e vir da população.

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