Por bferreira

—Engordou?
— Eu? Acabei de vir de um spa!
— Tá de brincadeira...
— Passei o domingo na Feira dos Paraíbas! Carne de sol, sarapatel... Até o tal do ovo ‘pocheio’ comi!
— Ovo pochê...
— Não, pocheio mesmo. De gordura!

O sujeito diário na birosca desconhece preocupações na sucursal do enfarte.
— Tem que se cuidar, meu facha.
— Camarada, eu sou igual a um chuveiro velho: nem ligo e, quando ligo, não esquento.

Um suspiro na mesa ao lado: “Ah, meu São Duíche”. A conversa segue o rumo de desprezo em hemogramas.
— Você precisa pensar no futuro, um lar, uma estabilidade...
— Olha, o meu lar é um botequim e, se eu tivesse bola de cristal, seria dono de uma fábrica de cones. Te digo mais: 90% do que ganhei gastei aqui, no bar. Os outros 10% deixei pro garçom!
— Um desperdício.
— Tu só pensa em lucro, malandro? Aposto que bebe chope sem colarinho, sem pressão, com cara de xixi de cevada. Guardas dinheiro no colchão, por acaso?
— Bem, posso te contar um segredo?
— Never! Eu não sou cofre pra ter segredo!
— Puxa vida! Você parece que tem boca de circo, de dentro só sai palhaçada?
— Diz de coração. Acha melhor eu falar de linchamentos no Guarujá, injeções letais, zelador tarado, Saint Roman, Morro dos Macacos? Quer que eu fale da Copa, do Galeão...
— Muda! Muda! Sabe qual é a semelhança entre a cerveja e a sogra?

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