Por thiago.antunes

Rio - Está marcado para os dias 8 e 9 de novembro o Exame Nacional do Ensino Médio 2014. Algo em torno de oito milhões de inscrições são esperadas, segundo o Ministério da Educação. Não há mudanças significativas no edital do concurso, cujo modelo é bem aceito pelos jovens. Há novidades, sim, na imensa logística do certame, com a previsão de uso de 16 mil detectores de metal portáteis — mais um avanço contra fraudes, que tanto prejudicaram edições passadas. Lamenta-se, porém, a teimosia do MEC/Inep em não realizar ao menos duas rodadas do Enem por ano.

Submeter alunos a revistas aleatoriamente pode soar intimidador, mas é um mal necessário. Basta um diminuto celular escondido para colas ou vazamento de questões — o que é fatal num exame de proporções continentais e porta de entrada para dezenas de universidades. O MEC evoluiu bastante no monitoramento das mídias sociais, flagrando postagens e localizando os autores, muitos eliminados na hora, ainda na sala de prova. Os detectores com certeza ajudarão a reduzir as tentativas de fraude.

A estrutura do Enem é indiscutivelmente colossal, o que demanda meses de preparação e processos rígidos na logística. Mas é incompreensível a insistência do Inep em manter apenas uma edição por ano. É injusto para os milhões de brasileiros que se inscrevem no concurso ter de definir o futuro acadêmico e profissional num só fim de semana e num teste brutal — 180 questões e uma redação, tudo exigindo leitura de muitos textos.

Reiteradas vezes educadores lembram que o similar norte-americano do Enem, o SAT, oferece várias datas de prova. O candidato, nesse sistema, tem margem para avaliar o próprio desempenho e programar melhoras. No Brasil, um deslize significa ter de esperar um ano inteiro para tentar novamente. Formação é algo urgente, não pode aguardar. É o país inteiro que perde.

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