Por thiago.antunes

Rio - Uma Educação que descarta a formação ampla da pessoa humana acaba por produzir monstrinhos treinados, entregando-os à sociedade, portando diplomas de sangue. Entrevistas com pessoas acostumadas a conviver com a criminalidade, até por causa do ofício que exercem, dão conta, cada vez mais, da frieza de assaltantes e assassinos.

O que está havendo com a sociedade diante de tanta barbárie? Respostas com maior barbárie ainda e que recebem apoio da sociedade, responsável por aplaudir linchamentos, ações precipitadas e comportamentos típicos de monstrinhos treinados.

Este novo perfil social é revestido de diploma de curso superior, representando uma formação acadêmica de respeito e, ao lado, de frieza capaz de matar, porque ao monstrinho treinado o valor material de uma herança supera o valor de qualquer vida.

O diploma está na parede emoldurado por um especialista, enquanto a criança pode ser jogada pela janela do sexto andar de um prédio ou dopada para receber, em seguida, uma injeção letal como se estivéssemos no corredor da morte numa penitenciária do Texas.

Este é o resultado de uma Educação que prioriza os aspectos intelectuais em detrimento da sensibilidade, que defende uma tecnologia cada vez mais presente numa sala de aula, esquecendo-se do desenvolvimento dos valores éticos que promovam a pessoa humana.

O consumo chegou a tal ponto, e os conceitos malthusianos impregnaram a sociedade com tamanha voracidade, que a vida passou a ser secundária. Os estudos e as escolas servem mais como degraus direcionados ao topo da carreira que represente um status social ou vultoso salário que o reflexo da convicção de um compromisso com a vida que o próprio profissional gerou.

O autor de ‘Assim falou Zaratustra’ considerava Deus como um ser perverso e caçador, escondido atrás das nuvens para matar os seres que ele mesmo criou, numa atitude nada afetiva e, sim, envolvida no mais puro sadismo. Parece-me que este ‘Zaratustra’ está encarnado em muitos viventes que sequer precisam de nuvens para se esconder com o objetivo de caçar suas criaturas.

Ele é capaz de condenar os horrores de um campo de concentração na segunda grande guerra mundial e não perceber o holocausto de que é protagonista dentro de casa.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

Você pode gostar