Editorial: Chamada ao bom senso para greves

Assegurar que vozes dissidentes falem é prerrogativa constante de constituições. Mas as mesmas cartas magnas alertam para os limites desse direito

Por O Dia

Rio - Greves são instrumentos preciosos para corrigir injustiças e se garantem em todo país que se preze como democracia. Da mesma forma, nenhuma república pode se dizer civilizada se coíbe manifestações populares. Assegurar que vozes dissidentes falem é prerrogativa constante de constituições. Mas as mesmas cartas magnas alertam para os limites desse direito. Na semana em que a cidade parou com um surpreendente movimento de rodoviários, com traços de baderna, é oportuno discutir motivações, reivindicações e possibilidades — ainda mais diante da iminência de uma ‘greve geral’ durante a Copa.

O mundial a ser disputado no país a partir do mês que vem mais atraiu críticas que apoios, e diferentes entidades de classe estão se mobilizando para protestar exatamente durante a competição. Tática semelhante foi adotada pelos garis no Carnaval, quando o Rio ficou imerso em sujeira. Nesse caso, comprovou-se que os funcionários da Comlurb ganhavam mal e tinham razão em parar. Prova da legitimidade do movimento foi a adesão da população.

O perigo mora no fato de sindicatos, dissidências ou infiltrações brandirem pautas inexequíveis e travarem serviços fundamentais em pleno Mundial. O prejuízo maior não será para torcedores de fora, mas para os brasileiros. A Copa do Mundo não pode ser encarada como salvo-conduto para exigir utopias, até porque a economia do país está longe de ser uma pujança que atenda a todas as reivindicações. E ainda há o componente político das greves: algumas podem ser agitadas com o simples propósito de tumultuar. Novamente, todo trabalhador precisa manifestar descontentamento e tem toda a liberdade para isso. Desde que chame patrões e governos ao bom senso.

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