Por bferreira

Rio - Às vésperas de deixar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral — hoje Dias Toffoli assume o órgão —, o ministro Marco Aurélio Mello fez um apelo para que o brasileiro não deixe de votar em outubro. “O local de protesto é na urna, fazendo uma triagem dos candidatos que se apresentam. O objetivo maior desse direito inerente ao cidadão é o ato de escolha, e não o ato negativo, omissivo.” O magistrado não podia estar mais certo. Há um perigoso marasmo político na sociedade, na qual sobra insatisfação e falta atitude. A pasmaceira também é alvo de preocupação de Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, o maior instituto de pesquisa do país: “Está cada vez maior a fatia de branco, nulo, indeciso. O desânimo é com tudo, é com a política, é a confusão.”

Mal sabe o brasileiro que, ao abster-se de votar, está causando prejuízo ao Erário — e, por consequência, a si mesmo. O TSE gasta R$ 3,63 por eleitor. Em 2010, nos dois turnos, 59 milhões de cidadãos não compareceram às seções, o que acarretou perda de quase R$ 200 milhões na organização do pleito. Entrassem nessa conta brancos e nulos, a soma bateria R$ 260 milhões.

O prejuízo financeiro é grande, mas o político-social é ainda maior. É preocupante a onda de justicismo e intolerância que não se vê representada e alega prescindir de representantes, como se a democracia brasileira estivesse falida e inexequível. Por mais que o país esteja num rumo delicado, com a economia fragilizada, e apesar dos casos de corrupção, o povo é livre, a imprensa tem voz, e qualquer um possui o direito de se expressar. No cipoal de candidatos, há os engajados e os ilibados. Eleição não é um fardo ou uma obrigação. É uma oportunidade ímpar para discutir problemas e tornar a nação cada vez melhor.

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