Por bferreira

Rio - Tinha dirigido ate Chamonix para subir no Mont Blanc, mas como o tempo estava fechado e a mulher do caixa disse “você não vai ver nada....”, eu desisti e parti para atravessar a fronteira logo ali. E em 20 minutinhos eu estaria almoçando em Aosta, Itália. Vinte túneis numa descida infindável e, na volta, ao sair do Túnel Mont Blanc, a polícia da fronteira estava me aguardando com um papel na mão. Pararam meu carro e o policial lindo, de olhos azuis, me disse calmamente: “O senhor foi flagrado pelo radar acima da velocidade permitida; por favor, me dê os documentos do carro e sua permissão para dirigir”. Nisso, ele me mostrou fotos e mais fotos do carro com a marcação eletrônica do computador logo acima. Eu de frente, de lado, de cima, um luxo.

Foi então que disse que era brasileiro e apresentei junto com tudo o que ele pediu meu passaporte. Ele e outro guarda me levaram até a sala das multas, tudo impecável, e anunciaram que eu teria que pagar 27 euros e 80 centavos. Perguntei se podia pagar com cartão de crédito, ouvi “não”, disse que tinha francos suíços pois estava em Genebra, voltou “não”, e como eu fiz cara de madalena arrependida, aquela mesma cara da mariazinha que levou pepino atrás da moita, ele abriu um mapa e educadamente orientou: “Desça a montanha até Chamonix, vá neste local (marcou a caneta no mapa), é o Cassino, onde o senhor pode trocar dinheiro; se não conseguir, vá até este banco e saque no seu cartão”.

Assim fiz, felicíssimo porque estava acontecendo a crônica da próxima terça-feira, quando eu contaria como é impecável levar uma dura (ui!) na Suíça, como tudo é civilizadíssimo, sem as baixarias terceiro-mundistas. Voltei em 30 minutos, e tranquilamente assinei o auto de infração, recebi minha cópia, e passei a nota de 50 euros. Ele me olhou desolado, e disse: “Senhor, não tenho troco para lhe dar”. Golpe? Será que fazem isto quando recebem notas mais altas, porque todos estão desesperados para se livrar de situação tão embaraçosa, que fariam o que eu fiz, deixando o troco para trás? Mas teriam que ter troco, para além do polimento impressionante? Me levantei, fiz aquela dobradura de corpo típica dos japoneses, e declarei oficialmente estar grato pela paciência que tiveram comigo. Pra quem estava todo lambuzado, perder 22 euros era uma tolice, até porque a maluquice seria descer a montanha de novo para trocar o dinheiro. Quando eu ia saindo, cruzei com outros policiais trazendo um outro cara, amarelo como eu quando fui parado. Pelo sim, pelo não, deixei pra lá e não o adverti de que era melhor trazer 30 euros trocados.

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