Por bferreira

Rio - O Plano Nacional de Educação (PNE) foi enviado por uma comissão especial de deputados para o Plenário da Câmara para ser votado, mas os pré-candidatos nas eleições presidenciais de 2014 ainda não colocaram o tema para debate político com a sociedade.

Nos últimos programas de televisão com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a Educação ficou como pauta secundária. Aécio coloca “eficiência e ética” como base de seu discurso, enquanto Eduardo centra as baterias nas críticas à gestão econômica do governo Dilma. Os dois erram em não debater a Educação como meta para o ‘Brasil do futuro’, propondo Ensino Fundamental de qualidade, focado no aluno e no professor.

Esquecem que a Educação inibe o crescimento dos indicadores da violência e da criminalidade. Fazem discursos teóricos das cartilhas do ‘economês’, sem afirmar que a perda de produtividade da economia brasileira decorre do fracasso do modelo do Ensino Básico, do sucateamento das universidades públicas, da falta de investimentos e dos baixos salários pagos aos profissionais da rede escolar. Escondem a realidade com discursos maquiados dos economistas.

O PNE enviado ao Congresso é uma obra de ficção científica. A proposta estabelece que 10% do PIB seja destinado a investimentos na Educação. As cifras de recursos dos governos chegarão a R$ 440 bilhões. São valores inviáveis e impraticáveis com os números do orçamento do governo federal. Para o ensino nas faixas de 3 aos 14 anos de idade, são previstos R$ 100 bilhões em gastos. Os valores são astronômicos se comparados com os dos países da OCDE e do bloco dos países escandinavos.

Não se tem notícias no mundo de que uma nação invista 10% do PIB na Educação. Talvez Cuba, mas o ‘IBGE’ de lá não é confiável. Islândia, Finlândia, Irlanda, Suécia e Noruega investem em média 7,1% do PIB. Os IDHs do bloco escandinavo são os maiores do mundo, e a renda per capita, a mais elevada entre os países da OCDE.

Os indicadores de desempenho da Educação escandinava são incomparáveis com os do Brasil. A posição do Brasil no ranking do Pisa (53%) fotografa os efeitos cruzados nos indicadores sociais — violência e criminalidade —, como a falta de consciência política na hora de votar. Somos campeões em corrupção; no campo econômico, a perda de competitividade é resultado da baixa taxa de investimento (18% do PIB) na produção e em tecnologias de ponta em níveis dos países asiáticos e da Aliança do Pacífico — Chile, México, Peru e Colômbia.

A imprensa tem chamado atenção do tema. A FGV, os jornais O DIA, ‘Estadão’ e ‘O Globo’ e o ‘Fantástico’ estão fazendo seminários e reportagens sobre royalties, Educação e bullying. A oposição precisa substituir a pauta do ‘economês pelo eduquês’.

Wilson Diniz é economista e analista político

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