Por bferreira
Publicado 17/05/2014 02:43

Rio - Posso dizer: “Até agora, tudo bem”, como o personagem de um cartum do Millôr ao passar entre o quarto e o terceiro andar, depois de se jogar de um edifício. Cheguei à idade que chamam de provecta e espero não estar por aí quando eles descerem dos morros, meterem o pé na porta e invadirem nossos apartamentos. Eles quem? Segundo o dono de uma loja no Leblon, onde fui comprar uma tomada, o pessoal das favelas. “Estão nos olhando lá de cima”, prossegue. Só falta um líder para dar a voz de comando, isso vai acontecer fatalmente, mais dia, menos dia. Aí sai de baixo, não tem para onde fugir. Se o tal líder é o Lula? “Não, ele é um de nós, também vai se ferrar. Será que ninguém vê que a guerra civil já começou?”, brada o profeta do apocalipse.

Sentado agora no sofá, olho as bugigangas e lembranças de tantas viagens amontoadas em cima da cômoda: bonequinhos do Tom e do Vinicius vindos de Sergipe, e Toulouse-Lautrec, de Paris, ao lado da minha coleção de sapos. Um carrossel de cerâmica que Celia trouxe da Costa Rica. Emoldurada, uma caricatura minha feita pelo Millôr, com dedicatória: “Todo Millôr tem seu ¼ de hora de Chico Caruso.” E a foto não sei de que data de um baile Parece que Foi Ontem, no Monte Líbano, lembrando um Leblon que os anos não trazem mais. Na foto, parecemos todos bonitos e felizes. E éramos.

“Vocês que moram no Leblon são uns bananas”, disse o taxista, meu conhecido. Pior: bananas-otários. “Dão mole, deixam fazer crateras e encher o bairro de tapumes. O trânsito, que já está um inferno, vai piorar. Cada vez mais carros nas ruas, e elas não alargam. Metrô pra quê? Já vem superlotado de São Conrado, não vai caber ninguém.” Como no samba do Chico Buarque, o pessoal do Leblon, em vez de ver a banda passar, vai ver o metrô passar superlotado.

Parece que finalmente descobriram que o humor brasileiro, como o futebol, é um dos melhores do mundo. Foram lançados dois espetaculares álbuns: ‘Fortuna, o cartunista dos cartunistas’ (de Cassio Loredano), e ‘Humor Paulistano’, coordenado por Toninho Mendes. E tem também uma imperdível exposição do Claudius no Sesi de São Paulo. Para culminar, a Flip, em Paraty, homenageia este ano Millôr Fernandes (sempre ele).

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